Sentinela no escuro

A quem iremos nós?

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As lições e emoções de “As aventuras de Pi”

Postado por Vinícius Farias em 13/01/2013
Publicado em: Eu recomendo. Marcado: Caridade, ciência, Esperança, Fé, hinduísmo, Islamismo, Pi, Razão, Religião, sobrevivência, virtudes teologais. 2 comentários

“Até os cabelos da cabeça de vocês estão todos contados”. (Lc 12, 7)

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Uma das grandes dificuldades que se poderia encontrar logo de início seria achar uma epígrafe dentre as muitas que caberiam para introduzir um texto que falasse de “As aventuras de Pi” (The Life of Pi). Esse filme trata principalmente do itinerário espiritual de um garoto curioso chamado Piscine Molitor Patel, vulgo Pi. Numa entrevista com um escritor, Pi conta toda a sua vida, desde a explicação do estranho nome Piscine, que vem de uma piscina parisiense, ao resultado de um naufrágio em que o protagonista perde mãe, pai e irmãos.

Na infância Pi conta como superou as gozações dos colegas pelo fato de se chamar Piscine. Nesse contexto ele explica todo o esforço que teve para associar seu nome à letra grega \pi, o rápido relacionamento com uma dançarina hindu e o mais importante: a descoberta das três religiões que o acompanharam durante a vida, o hinduísmo do qual aprendeu a do qual aprendeu a devoção, o islamismo do qual aprendeu a ver Deus em todas as coisas e o cristianismo do qual aprendeu a amar. Em um diálogo familiar, Pi é aconselhado por seu pai sobre a necessidade de fazer escolhas na vida, por mais difíceis que elas sejam. Pi decide então ser batizado, ainda que a experiência positiva com as outras religiões moldassem sua forma de encarar as dificuldades da vida. Interessante notar que o fato de Pi ter conhecido diferentes religiões, parecidas e discordantes entre si, não o impediu de tomar uma decisão livre de qualquer pressão. Uma delas o convenceu na busca da verdade num processo parecido com o que  explica João Paulo II na encíclica Fides et Ratio:

A sede de verdade está tão radicada no coração do homem que, se tivesse de prescindir dela, a sua existência ficaria comprometida. [...] Por certo, nem toda a verdade adquirida possui o mesmo valor; todavia, o conjunto dos resultados alcançados confirma a capacidade que o ser humano, em princípio, tem de chegar à verdade.

A família de Pi decide então seguir numa viagem rumo ao Canadá para iniciar uma nova vida. Para tanto eles têm que levar boa parte dos animais que viviam no zoológico da família num enorme cargueiro. O navio naufraga e ele, dentre todos os animais e tripulantes, consegue salvar-se  por meio de um bote salva-vidas com um tigre (Richard Parker), um orangotango, uma hiena e uma zebra.

Obviamente, como vocês já devem imaginar, da chamada “Arca de Pi” (metáfora da Arca de Noé) só sobrou o tigre e o então adolescente Pi. Com o tempo Pi teve de aprender não só a sobreviver às intempéries do mar como a domar o tigre faminto. É muito fácil perceber que o período que Pi passou com o tigre no mar foi uma bela demonstração das virtudes teologais: a fé, a esperança e a caridade. Pi exercitou o dom da fé substituindo as quase obrigatórias murmurações por diálogos e até discussões com Deus; cultivou a esperança por meio das simples instruções de um manual de sobrevivência; e o mais importante: Pi não se fez de coitadinho nem descontou a raiva, o abandono e o desespero no tigre com quem conviveu durante todo esse tempo.

O filme consegue, ademais, traduzir magistralmente as provas de fé a que Deus nos submete diariamente: sempre que tudo parece humanamente perdido, a ajuda vinha mesmo que de modo imperceptível. O filme mostra que Deus é humilde até em sua providência. Não há teletransportes, água do mar transformada em vinho, peixe transformado em filé mignon, etc. A lição é sobretudo a que temos de estar atentos aos movimentos divinos. Esse exercício ou prova divina repete-se ao longo de toda a “Aventura de Pi”: o barco naufraga, porém só ele sobrevive; Pi está abandonado em meio ao mar, porém há um manual de sobrevivência com suplementos para dias; a comida começa a acabar, porém acha-se uma ilha para abastecimento e por aí vai. O mais importante é estar atento a esses “poréns” de Deus a despeito de todas as circunstâncias e isso é uma grande lição para os crentes.

Nas últimas cenas, o já adulto Pi, que é entrevistado por um escritor conta que logo após o naufrágio teve de explicar a alguns representantes da seguradora como ocorreu o desastre e como ele conseguira sobreviver tanto tempo no mar, algo considerado impossível. Depois de explicar detalhadamente, Pi percebe o estranhamento no rosto dos representantes que prontamente solicitam uma história mais plausível para ser registrada nos arquivos. Pi então reconta a história substituindo os animais do bote por pessoas. A atitude de cada animal: da hiena, do orangotango, da zebra e do tigre são substituídas pela atitude de pessoas por ele inventadas na tentativa de parecer mais convincente dessa vez. No final, Pi questiona o escritor: “qual é a melhor história? A história com animais ou sem animais?”. O escritor responde: “A história com animais é uma história melhor”. E então Pi responde: “e assim aplica-se a Deus”.

Como uma obra de arte, não convém tentar explicar ou impor uma visão pessoal da cena retratada, mas esse final talvez seja a chave do entendimento da proposta do filme. Dentre duas histórias “inverossímeis”, humanamente fantásticas, inacreditáveis, onde não há espaço para a racionalização dos fatos, uma delas parece ser mais adequada cientificamente falando. Mas isso não quer dizer que seja a história verdadeira. Talvez o roteirista quisesse provar que a ciência também tem seus limites. A ilha carnívora relatada por Pi não existia em nenhum mapa, mas só por isso deveríamos presumir que ela não existe? Não há artigos científicos demonstrando o comportamento de um tigre de bengalas convivendo com um homem durante 200 dias em mar aberto. Portanto deveríamos concluir que isso seria impossível? Com relação a Deus, poderíamos explicá-lo como uma entidade etérea e abstrata, distante da realidade humana, que fora criado pela imaginação para suprir o que a ciência não explicaria.  Por outro lado, existe uma outra história: a de um Deus que se fez homem por amor à humanidade e sofreu até a morte para elevá-la ao seu convívio e fazê-la eterna. Como na história contada por Pi, uma parece cientificamente melhor, mas será que é a verdadeira? Eu responderia com uma incrível citação do próprio Pi:

“Se você titubeia em relação à credibilidade das coisas,você está vivendo para que? O amor é difícil de acreditar, pergunte para qualquer amante. A vida é difícil de acreditar, pergunte para qualquer cientista. Deus é difícil de acreditar, pergunte para qualquer crente. Qual o seu problema com coisas difíceis de acreditar?”

Corra para o cinema com um caderninho na mão!

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Minha última peregrinação: o bom e o ruim

Postado por Vinícius Farias em 07/01/2013
Publicado em: Eu recomendo. Marcado: Itália, Loreto, Lugares Santos, Ortona, Padre Pio, Peregrinação, San Giovanni Rotondo, Santa Casa, São Tomé, Virgem Maria. Deixe um comentário

Como dito há algum tempo atrás,  mais uma vez tive a oportunidade de fazer uma peregrinação por alguns lugares santos. Além de participar da Missa do Galo na Basílica de São Pedro, que por si mesmo já é uma graça enorme, pude visitar as cidades de Loreto, San Giovanni Rotondo e Ortona, todas na Itália. Essa viagem como que fechou o ciclo das cidades que conheci em março de 2012, dentre elas Assis, Siena e Pádua.

Ainda que nessas cidades se perceba claramente o culto a algum santo, podemos dizer que  tal culto não passa de um reflexo da misericórdia de Deus pela humanidade, manifestada na vida desses homens e mulheres. Portanto, visitei o túmulo dos santos e voltei cheio de Deus, como a samaritana que foi ao poço buscar da Água Viva.

Um ponto geral que chamou a atenção, algo comum entre as três cidades visitadas, foi a falta de estrutura de acolhimento para as peregrinações. Mas eu gostaria de tratar em resumo das minhas impressões sobre cada cidade. Claro, para tanto devemos levar em consideração o fato de que as cidades santas do norte da Itália estão melhores estruturadas, pois as regiões do centro-norte como o Vêneto, a Toscana e o próprio Lazio (onde está Roma) sempre foram mais desenvolvidas e ricas que o Abruzzo que abriga as três cidades que visitei dessa vez.

Loreto:

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A primeira coisa que me impressionou foi o fato de a cidade ficar sobre uma montanha. Podemos aceder à cidade por meio da chamada Scala Santa, uma escada enorme com imagens da Via Crucis por todo o percurso maravilhosa para fazer penitência. Essa escada me fez refletir sobre a própria peregrinação rumo ao céu: depois de muito sacrifício, suor e (por que não) até lágrimas, chegamos ao tão almejado objetivo – a presença de Deus. A basílica barroca (com referências renascentistas) é imperdível. Uma obra de arte que passou pelas mãos de Sangallo e Bramante, ambos arquitetos da São Pedro de Roma. Mas como a Santa Maria dos Anjos em Assis, a igreja externa não passa de uma maquiagem para o verdadeiro tesouro, o coração que pulsa no seu interior. A basílica abriga a chamada Santa Casa – o lugar onde a Virgem recebeu o anúncio do nascimento do Salvador do arcanjo Gabriel. A tradição afirma que a casinha foi transportada de Nazaré para essa montanha num tempo em que os muçulmanos passaram a destruir os lugares sagrados da Terra Santa. Ali eu vi uma espiritualidade capaz de quebrar qualquer coração endurecido. É difícil acreditar que você tem a graça de entrar na sala mais importante do mundo (é um quadradinho de 8 x 4 metros e mais, acreditar que o evento mais importante do mundo aconteceu num lugar pobre como aquele. A imagem milagrosa de Nossa Senhora de Loreto – que dizem ter ficado negra pela fumaça das velas dos devotos – é lindíssima. Ali eu rezei o Angelus, pedi pelas intenções que me foram confiadas e o mais emocionante, rezei a Ladainha de Nossa Senhora ou Ladainha Loretana – que surgiu sob inspiração desse lugar santo. Eu passei pouco tempo lá, uns 3 horas talvez, mas foi uma emoção tão marcante que nunca sairá da minha memória. De negativo eu poderia lembrar da falta de opções para comer e do mau gosto dos frades capuchinhos que como em outros lugares santos insistem em fazer reformas totalmente estranhas à composição artística do lugar. Um exemplo claro disso é o altar moderno com figuras abstratas totalmente irreconhecíveis tendo esculturas renascentistas como plano de fundo.

Ortona:

Essa cidade, outrora parte da grande rota internacional de peregrinação durante a Idade Média, está totalmente esquecida hoje em dia. Apesar de ser uma das três únicas cidades de toda a Europa a abrigar relíquias de um dos Apóstolos,  São Tomé, parece que nem na própria cidade isso tem relevância. Você desce numa estação de interior, tem que subir a uma montanha como em Loreto, mas não há uma indicação de que aquela cidade contém algo de especial (ex. túmulo do Apóstolo, etc.). A igreja foi para mim uma decepção, poderia ser uma paróquia de qualquer diocese pobre do interior. O túmulo do apóstolo fica numa capela lateral (eu fiquei procurando um tempão no altar principal e só depois descobri que estava numa capela lateral) sem qualquer sombra da reverência dada a Tiago em Compostela e a Pedro em Roma. Além do túmulo mal cuidado do apóstolo, há ainda um castelo medieval bem bonito. Se a Igreja local tivesse interesse, certamente uma parceria com governo e comerciantes dariam um novo ar ao local. Sem precisar ver para crer, peçamos que Deus suscite um novo ânimo para o bispo responsável pelo túmulo do apóstolo. Que o seu coração se encha de um santo zelo para aquele que tocou nas chagas de Nosso Senhor.

San Giovanni Rotondo:

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Quando falava de  estrutura de acolhimento ao peregrino, eu pensava sobre tudo nessa que é a cidade de São Padre Pio. É um drama chegar nessa cidade e, apesar de estar há poucos minutos de distância, é quase impossível ir e voltar no mesmo dia. Diferente de Assis, Loreto e qualquer outra cidade santa na Itália, não há estação de trem para San Giovanni. Você tem de pegar um trem até Foggia ou San Severo e mais um ônibus até San Giovanni. E não pensem que há muitos trens até Foggia/San Severo, pelo menos não havia para os horários que eu desejava. É impressionante que uma cidade comparável em muitos aspectos a Fátima em Portugal seja tão complicada de se atingir. Eu chamaria San Giovanni de oásis. Há uma mega, super-estrutura no meio do nada. Mas chegando ali é como se toda a dificuldade valesse mil vezes a pena. O ar é diferente. De cara somos surpreendidos com o hospital gigantesco (eu não me lembro de nenhum daquele tamanho aqui em Brasília) construído por iniciativa do santo. Logo em seguida, somos convidados a entrar na bela igreja onde S. Pio celebrava a missa e atendia confissões. Logo ao lado da igreja fica o convento que testemunhou seu último suspiro. Em San Giovanni há um centro de acolhimento bem localizado que disponibiliza diversos materiais (orações, livretos contando a história do santo, mapas, etc) para que você entre de verdade no contexto daquele santo. Como se trata de um santo do século passado, os capuchinhos tiveram o cuidado de documentar tudo – acho que tinha (com o perdão da irreverência) até cuecas do santo em exposição no museu. Isso foi uma coisa que me impressionou e que não vi em nenhum outro lugar. Você se sente muito próximo de São Padre Pio. Especialmente para quem já leu uma biografia ou já assistiu ao filme do santo, tudo ali é muito especial. A graça de poder rezar diante do crucifixo do qual ele recebeu as chagas é indescritível. Devo ainda lembrar que tudo lá é de graça e bem acessível. Eu me senti em casa e voltaria de novo com muito gosto. Tudo está muito bom, está muito bem, mas não poderia deixar de falar da minha grande decepção (que é um interessante paralelo com o que disse sobre Loreto). Os frades construíram uma igreja moderna no estilo “galpônico” tão inconveniente que eu só poderia dizer que eles fariam muito bem em fazer o que os anti-clericais frequentemente recomendam: “vende tudo e dá para os pobres”. Essa igreja que abriga o corpo do santo talvez mais importante do século XX é um espetáculo de dinheiro mal empregado e uma clara ruptura com a arte sacra tradicional. Ali você é obrigado a pensar: ora, não é feia, mas também não é bonita – apenas diferente. Pensamento típico da arte moderna que solapou a beleza universal em favor do valor do choque psicológico que a obra poderia causar. Para esses artistas modernos, quanto mais monumental, chocante e diferente, mais interessante a obra é. Eu fiquei decepcionado, mas logo eu pensei, nada vai apagar a luz que Deus acendeu nesse homem. Desci até a cripta, rezei pedindo a sua intercessão e de repente aquela igreja já não me ofendia tanto. Os motivos para agradecer superavam infinitamente as críticas. Apesar de passar menos tempo que gostaria (por conta do transporte), f0i essa talvez uma das cidades mais maravilhosas que já visitei. Louvado seja Deus em seus anjos e em seus santos!

Eu não poderia deixar de usar esse espaço para agradecer a Deus por tantas bênçãos recebidas no ano passado. Foi tudo muito maior do que eu esperava. Este ano as coisas certamente darão um giro de 180 graus na minha vida, mas nunca vou deixar de pedir que Deus sempre me surpreenda com as suas graças. Manda o que queres e obrigado por tudo, Senhor!

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Os 10 posts mais legais do ano

Postado por Vinícius Farias em 11/12/2012
Publicado em: Eu recomendo. Marcado: Blog, Fim de Ano, Posts, seleção, Top 10, Viagem. Deixe um comentário

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Amigos, como vocês sabem estou para fazer mais uma peregrinação, dessa vez para Londres e algumas cidades da Itália. Por essa razão vamos entrar em recesso por 15 dias aqui no blog. Postaremos coisas novas no começo de janeiro. Aguardem novidades e não se esqueçam de visitar os tópicos antigos. Como sempre, faremos a seleção dos melhores e mais visitados posts desse ano. Segue o top 10:

1-Os 10 mandamentos do homem que se veste bem

2-As virtudes por trás do filme “Os Vingadores” (The Avengers)

3-As 10 músicas que nunca deveriam ser cantadas numa missa

4-Recomendações para quem quer montar uma biblioteca em casa

5-5 dicas para evangelizar sem parecer fanático

6-Verdades inconvenientes sobre a Jornada Mundial da Juventude

7-Carta aberta aos superiores e religiosos do Brasil

8-Quatro versículos que não estão na minha Bíblia

9-7 dicas práticas para quem pretende entrar no seminário

10-A farra da “padrinhagem” na Igreja Católica

O que vocês acharam da seleção? Faltou algum post que vocês tenham gostado na lista? O que vocês esperam do blog para 2013?

Desejo a todos um feliz e santo natal e não nos esqueçamos de agradecer a Deus por todas as graças recebidas no ano que passou!

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C. S. Lewis e o catolicismo

Postado por Vinícius Farias em 07/12/2012
Publicado em: Eu recomendo. Marcado: Anglicanismo, C. S. Lewis, Catolicismo, Fé, Igreja, Literatura, Religião. Deixe um comentário

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Apesar de ter sido anglicano durante toda a sua vida, C. S. Lewis, grande autor de “As Crônicas de Nárnia”, acreditava em muitas pontos da doutrina católica que a grande maioria dos protestantes rejeitam. Além de acreditar na regeneração pelo batismo, chegou a falar sobre a confissão como um sacramento invés de uma mera afirmação pública de fé. Dentre outras coisas, acreditava na presença real de Cristo na Eucaristia (não apenas em ato simbólico ou consubstanciação): “Fora o próprio Santíssimo Sacramento, o próximo é o objeto mais santo que pode ser apresentado aos nossos sentidos”. Sobre o purgatório ele diz:

As nossas almas precisam ir para o Purgatório, não? Será que não nos partiria o coração se Deus nos dissesse: “É verdade, meu filho, que seu hálito fede e que dos seus trapos escorrem lodo e lama, mas somos caridosos aqui e ninguém te repreenderá por essas coisas, nem te afastar daqui por causa disso. Entre na glória.”? Não deveríamos ao menos responder: “Com todo o respeito, Senhor, se não houver nenhuma objeção, eu prefiro me limpar antes. Pode até doer, mas eu preciso, Senhor”.

Eu presumo que o processo de purificação normalmente implicará sofrimento. Parte por conta da tradição; parte porque a maior parte do bem que me foi feito durante a vida implicava isso. Mas eu não creio que o sofrimento seja o propósito da purgação. Eu não posso julgar que pessoas piores do que eu sofrerão mais e que as melhores sofrerão menos…O tratamento dado será proporcional à nossa necessidade, quer isso produza mais ou menos sofrimento em nós.

A minha imagem predileta em relação a esse assunto é o da cadeira de um dentista. Espero que quando o dente da vida for arrancado e eu “voltar a mim mesmo”, uma voz dirá, “enxágue  a sua boca com isso”. Isso é o purgatório. O enxágue pode durar mais do que eu imagino. A sensação do enxaguante pode ser mais ardente ou adstringente que a minha sensibilidade poderia suportar, mas…tal enxaguante não será nem repugnante nem indigno.

Infelizmente não chegamos a ver a sua conversão como a de J. R. R. Tolkien, mas quem sabe se ele tivesse vivido 104 anos [como Niemeyer]? O livro de Joseph Pearce, “C. S. Lewis and the Catholic Church” (sem tradução em português) dá algumas possíveis razões pelas quais ele não chegou a se converter baseando-se em textos dele sobre a Igreja Católica. Ainda que devamos ler muito criticamente seus escritos teológicos, precisamos por justiça reconhecer que Lewis tem muita a nos oferecer no campo da fé e da moral (especialmente por sua clareza e sagacidade).

Claro que isso é matéria para quem já conhece pelo menos o básico da doutrina católica. Ora, se você não leu nem um doutor da Igreja, por que iria a Lewis? Mas isso vale para quem quer se aprofundar. Em outros temas, Lewis não faz feio para nenhum dos grande nomes da literatura universal. Vale conferir.

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As 20 melhores perguntas feitas ao papa pelo Twitter

Postado por Vinícius Farias em 05/12/2012
Publicado em: Atualidade. Marcado: Internet, novas tecnologias, Papa, Pontifex, Redes Sociais, Twitter. 3 comentários

Pope twitter

As contas do papa Bento XVI no twitter, lançadas na última segunda-feira (03), prometem ser um um importante meio para divulgar a palavra de Deus, especialmente entre os jovens. Apesar disso, ficamos com água na boca à espera do primeiro tweet, que será publicado no próximo dia 12, dia de Nossa Senhora de Guadalupe. Na minha opinião, a novidade mais interessante não foi o exponencial crescimento no número de seguidores, nem um homem de 85 anos resolver tuitar, muito menos o fato de esse homem ser o maior líder religioso do mundo. Para mim, o mais interessante foi a possibilidade de fazer perguntas para o papa por meio da hashtag “#askpontifex”. Não sei, sinceramente, se a equipe do papa vai conseguir gerenciar tanta informação (a maioria, creio, inútil). Porém, tenho certeza que dentre as milhares de perguntas, algumas merecem toda a atenção da Santa Sé.

Eu resolvi escolher algumas perguntas que certamente seriam dignas de uma resposta do pontífice (ainda que por mensagem pessoal). Espiritualmente nós católicos acreditamos numa estreita comunhão com o papa. Não importa se nunca cheguemos a falar pessoalmente com ele, compartilhamos suas dores e alegrias por meio da fé. Por outro lado, ter um canal direto de perguntas e respostas pode dar ao sucessor de Pedro um termômetro do que se pensa e se discute nas redes sociais. E um papa ter a coragem de ir aonde o povo está, aonde quer que ele esteja, é o que poderíamos chamar de verdadeiro espírito missionário. Como quem fala e faz, o papa veio até nós. E nós vamos até ele também. Não escolhi perguntas óbvias (que o papa já respondeu em diversos discursos e homilias). Escolhi perguntas cujas respostas poderiam suscitar, de certa forma, mais relevância para os discursos do papa nesse mundo virtual:

Pergunta 1:

pergunta 1

Pergunta 2: “Deus é capaz de criar algo que nem mesmo ele poderia destruir?”

pergunta 2

Pergunta 3: “Como a fé pode ser mantida viva quando pedimos algo a Deus há tanto tempo e não vemos resposta?”

pergunta 3

Pergunta 4: “Deus diz: ‘Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei’ Por que o senhor aceita algumas formas de amar e outras não?”

pergunta 4

Pergunta 5: “Publicamente o senhor busca um terreno comum com outras religiões, mas como um universalista o seu objetivo último não seria a conversão?”

pergunta 5

Pergunta 6: “Haverá um tempo em que a Igreja não estará tão envolta em controversas e, ao invés disso, poderá ser vista por sua verdadeira missão e beleza?”

pergunta 6

Pergunta 7: “Santo Padre, na sua opinião, qual é a maior barreira para se propor a fé nos campi universitários?”

pergunta 7

Pergunta 8: “Querido papa, nós queremos convidá-lo a visitar Mossoró a cidade mais de Jesus. É possível? Se sim, quando?”

pergunta 8

Pergunta 9:

pergunta 9

Pergunta 10: “Santo Padre, como os jovens católicos no mundo moderno podem conciliar suas visões sendo que elas frequentemente chocam-se com as regras da Igreja?”

pergunta 10

Pergunta 11: “Santo Padre, o que o senhor sente quando pensa que um dia verá Jesus face-a-face e o que o senhor dirá em sua presença?”

pergunta 11

Pergunta 12: “Qual a sua memória de infância favorita?”

pergunta 12

Pergunta 13: “Querido papa, diga-me, existe um céu para fetos abortados?”

pergunta 13

Pergunta 14: “Como se pode falar em “unidade de fé” numa Igreja que dá espaço para universalistas, pluralistas, inclusivistas e exclusivistas?”

pergunta 14

Pergunta 15: “A Igreja vê uma necessidade/benefício em oferecer abertamente informações sobre a sua doutrina ao público fora das aulas de catecismo?”

pergunta 15

Pergunta 16: “Como o catolicismo poderia ter um espaço na internet?”

pergunta 16

Pergunta 17: “Como explicar a fé a um ateu?”

PERGUNTA 17

Pergunta 18: “O que eu poderia fazer para ajudar os meus pais a ter fé em Deus novamente?”

PERGUNTA 18

Pergunta 19: “Santidade, como um jovem pode se encontrar sempre na posição de ter que defender a sua fé? Seria esta a nossa missão?”

pergunta 19

Pergunta 20: “Como as pessoas de fé podem usar as mídias sociais para neutralizar o secularismo na nossa cultura?”

pergunta 20

Como eu disse, a maioria, pelo menos 90% das perguntas é spam ou perguntas dementes sobre pedofilia (notoriamente para polemizar) ou algo sobre o nazismo ou sobre algo sobre as supostas riquezas da Igreja. Na minha opinião, faltam perguntas inteligentes, sério. Os tweets acima são a nata. É uma pena que as verdadeiras perguntas se percam em meio a tanta futilidade e palavras jogadas ao vento. Espero que os assessores do papa tenham uma paciência de Jó para poder filtrar o luxo no lixo porque essa é uma ferramenta interessantíssima que, se bem usada, pode ser um tesouro para o papa e para a Igreja.

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7 dicas práticas para quem pretende entrar no seminário

Postado por Vinícius Farias em 03/12/2012
Publicado em: Eu recomendo. Marcado: chamado, Dicas, Sacerdócio, seminaristas, Seminário, Vocação. 8 comentários

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Resolvi fazer uma lista de 7 sugestões para aqueles que desejam entrar num seminário. Meu objetivo é sobretudo desmistificar algumas coisas e recomendar outras para os marinheiros de primeira viagem. Vejo muitas pessoas entrando e saindo do seminário porque não fazem a menor ideia do que vão encontrar por lá. Anos depois, mais maduros, resolvem voltar e percebem que perderam tempo. Não há um estereótipo de vida de seminário. Infelizmente os seminários são tão díspares quanto é a cultura brasileira: cada bispo quer fazer um seminário para si. No entanto, alguns pontos convergem e eu apontaria os seguintes:

1-Não se escandalize com nada:

A primeira coisa que você deve entender é que lá não há só anjos. Provavelmente você encontrará pessoas perversas, professores maçons, colegas que vão te cantar na cara dura, politicagem e muitas coisas más que são próprias da natureza humana. Portanto, fixe-se num objetivo (a ordenação), tenha Cristo no centro e ignore o resto. Tenha em mente que o chamado está acima de qualquer miséria humana, ainda que essas misérias estejam no último lugar do mundo que você imaginaria que estivessem.

2-Cuidado com os grupos:

Fazer amizades, especialmente quando você está longe da família é essencial para que você mantenha o equilíbrio emocional. Nesse contexto você pode, como na escola, ligar-se mais a determinado grupo que partilha certos interesses e afinidades em comum. Há o grupinho dos conservadores, o dos comediantes, o dos espiritualizados, etc. O problema é que entre esses grupos há uma série de aleatórios que são muitas vezes ignorados; e não se engane – amanhã você poderá ser um deles.

3-Não se envolva com a “pastoral do pano”:

Existem seminaristas muito preocupados com rendas, tecidos quentes/frios, sapato de bico fino/quadrado, cíngulos importados e coisas do tipo. Vivem buscando na internet diferentes padrões de flores e arabescos para estampar sua sobrepeliz e não raro escolhem um que descreve como “meu sonho de consumo”. No meio disso tudo você se questiona: é realmente preciso isso tudo? Certo zelo é fundamental na vida do seminarista, pois como ele é hoje, assim ele será como sacerdote, mas sabemos que isso não é essencial. O exagero no cuidado estético pode te desviar do caminho dos santos (não apenas franciscanos) que louvavam a pobreza em detrimento dos bens e aparências para dizer que os verdadeiros tesouros estão no céu. Além disso, não precisamos de padres-estilistas.

4-Cuidado com as intimidades:

Nunca se esqueça de duas coisas: a primeira é que por mais que você use as dependências do seminário e se sinta à vontade por lá, aquela não é a sua casa. A segunda é que não importa quanta afinidade você tenha com o seu colega de quarto, ele não é seu parente. O que quero dizer é que devemos sempre respeitar tanto a dignidade do lugar em que está  (você não vai sair de cueca pelos corredores, combinado?) quanto a dignidade dos colegas (nada de muito abracinho). Quanto a este ponto, não podemos tampar o sol com a peneira: há (infelizmente) candidatos com fortes tendências homossexuais em todos os seminários do universo. Por essa razão, não se deve ser pedra de tropeço para ninguém (ainda que você esteja muito convicto da sua heterossexualidade). E independente disso, aqui vale o conselho de São Paulo: “Tudo me é permitido, mas nem tudo me convém”.

5-Não caia no academicismo:

Se é verdade que você está cursando como que uma faculdade, por outro lado, o diploma não é o mais determinante para a formação de um bom padre. Por exemplo, imagine só o seminarista que usa todo o seu tempo livre debruçado sobre Santo Agostinho porque está determinado a desvendar o mistério da Santíssima Trindade antes da ordenação…Mais que isso, muitos não passam dois semestres na teologia e querem renovar a Igreja, acham-se plenamente capazes de questionar o papa e discutir tête-à-tête com o Vigário de Cristo desde a disciplina do celibato às finanças do Vaticano. Aqui vale lembrar que o seminarista deve se assentar sobre uma cadeira de quatro pés: intelectualidade, pastoralidade, humanidade e espiritualidade. Quando um desses pés está mais alto que os outros, pode ter certeza de que uma hora o seminarista cai da cadeira.

6-Pratique esportes:

Provavelmente se fizessem uma pesquisa essa constataria que os padres pesam mais que o resto da população. Os padres, em geral, são gordinhos porque costumam, desde  o seminário, esquecer da seguinte frase: “primeiro o homem, depois o santo”. Querem fazer o santo a todo custo e deixam de lado amizades, saúde, interesses, etc. Como estamos numa época de extremos, é preciso explicar que “primeiro o homem” não significa culto ao corpo. É realmente vergonhoso ver um representante de Cristo todo bombadinho com camisetas e calças coladas para chamar atenção das gatinhas na rua. O critério aqui é saúde. O que passar disso é certamente irrelevante para o seminarista e especialmente para o sacerdote.

7-Divirta-se

O negro da batina significa a morte para os prazeres do mundo, mas isso não quer dizer que você realmente deve se tornar uma múmia viva que só anda de cara fechada. São Felipe Neri era considerado o santo da alegria à despeito de todos os sofrimentos pelos quais passou. Sorrir e divertir-se quando Deus permite é sinal de que somos gratos e sabemos aproveitar as graças recebidas. Não há nada mais dramático que levar as próprias tristezas para alguém que, seminarista ou sacerdote, seja um verdadeiro “vale de lágrimas”. Possivelmente você não tirará nada bom dali. Portanto, o seminarista, que já deve se ver como um futuro sacerdote, deve revestir-se de Cristo e proclamar no dia-a-dia: “A alegria do Senhor é a nossa força”.

Não sou seminarista, mas baseei-me no relato de alguns colegas que deixaram o seminário e anotei os pontos mais comuns. Você que já passou pelo seminário teria alguma outra sugestão?

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Homofobia: uma palavra que poucos sabem usar

Postado por Vinícius Farias em 30/11/2012
Publicado em: Atualidade. Marcado: Cristianismo, Doutrina, Gays, Homofobia, Homossexualidade, Intolerância, Preconceito, Psicologia, Religião, sociopatia. 2 comentários

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Recentemente descobri duas coisas muito interessantes. A primeira delas é que nos Estados Unidos existe o chamado AP Stylebook, que é um manual de redação e estilo voltado para o uso jornalístico. Esse manual compila normas gramaticais, dicionário e exemplos de usos de determinados termos  e é referência para os profissionais do ramo. A segunda coisa interessante é que em sua atualização desse ano, eles removeram o uso do sufixo “-fobia” (-phobia) de seu manual. Dave Minthorn, o editor representante pelo setor de padrões da AP explica:

Homofobia especificamente -não passa de uma marca. O seu uso atribui uma doença mental a alguém e sugere um conhecimento que não temos (acaso é competência dos jornalistas o diagnóstico de uma fobia?). Parece não-acurado.  Em vez desse termo, poderíamos usar algo mais neutro: anti-gay ou algo do tipo, se houver razão para acreditarmos que fosse o caso.

Perfeito. O sr. Minthorn foi à raiz da coisa. No Brasil esta palavra ficou tão banalizada quanto “eu te amo”. Chegamos ao absurdo de ver gays discordarem do chamado “casamento gay” e serem chamados de homofóbicos pelos pares. Foi o que sugeriu o deputado Jean Wyllys ao dizer que o falecido deputado Clodovil “tinha homofobia internalizada”. Homofobia, ao contrário do que a grande massa presume, não significa para o movimento gay “preconceito” nem “intolerância”. Homofobia é um termo incluído no Dicionário de Psicologia da American Psychological Association e quer dizer: “ódio e medo de homossexuais de ambos os sexos, associados ao preconceito e raiva a eles dirigidos”. As fobias como a claustrofobia e a entomofobia são consideradas clinicamente como psicopatias (com um amplo espectro de gravidade) e carecem de tratamento terapêutico.

Nós cristãos vemos as relações homossexuais como intrinsecamente desordenadas. Se nos chamam de homofóbicos, ou os militantes do movimento gay estão nos difamando propositalmente ou do alto de seus “saltinhos 15″ não fazem a menor ideia do que estão falando. Eu diria até que isso é um tiro no próprio pé, pois ao diagnosticarem que 99% dos brasileiros são homofóbicos, eu diria que é bem difícil que eles encontrem os psicopatas reais no meio da massa.

Em outros países como os Estados Unidos, a moda agora é “Islamofobia”, ou seja, o medo de islâmicos e da cultura islâmica em geral. Percebam, aqui o uso do termo é relativamente mais coerente e adequado que no primeiro caso. Ter medo da cultura islâmica  é tolerável em determinados lugares como os Estados Unidos que viveram um terror provocado por extremistas islâmicos. Obviamente não estamos pregando o ódio ao islã. Por outro lado, é compreensível que uma imagem negativa fique e isso sim pode ser tratado se clinicamente diagnosticado. Agora, sejamos sinceros, é ridículo usar o termo fobia associado à intolerância a homossexuais(mesmo sendo ratificado pela APA). Ninguém é intolerante em relação a homossexualidade por medo da condição homossexual. A intolerância ao homossexual está muito mais ligada a uma sociopatia (indiferença aos direitos e sentimentos da sociedade ou de determinado grupo social) que a uma fobia.

Devemos pontuar ainda uma questão mal resolvida no uso de termos: 1) preconceito e 2) intolerância. De acordo com o dicionário português Priberam, uma das acepções do termo preconceito é: “Ideia ou conceito formado antecipadamente e sem fundamento sério ou imparcial”. O grande erro por trás do preconceito está em julgar pessoas e situações tendo como base os acidentes e não a essência. Todos nós somos preconceituosos em certo nível porque o julgar pela aparência é tipicamente humano. De acordo com a teoria do conhecimento, a internalização de certa matéria se dá da seguinte forma: primeiro há a aquisição dos dados, em seguida há a consolidação/organização dos dados (que viram informação) e por fim a interligação de informações que gera um conhecimento. Podemos ver no gráfico de Daniel Alexandre Moreira como isso se dá:

gráfico

O preconceituoso julga antes de os dois primeiros passos da internalização estejam completos. Ou seja, ele julga com dados e informações desorganizados. Com o tempo, a maturidade vai nos ensinando a respeitar o processo de internalização e formação do conhecimento, mas nem sempre temos paciência para isso.

Quanto à intolerância, o mesmo dicionário, numa de suas acepções, diz que é: “violência”. Esta é uma ação que depende ou não de preconceito. Existem pessoas que partem para a violência contra outras depois de terem ponderando, refletido perfeitamente sobre determinado assunto. Portanto, existem intolerantes sem serem preconceituosos. É um ato de livre vontade que mais uma vez se encaixaria dentro da sociopatia e não da fobia. O sociopata tem dificuldades de internalizar regras e respeitar seus pares no convívio social. Como no caso das fobias, as sociopatias dividem-se num amplo leque de intensidade, nem sempre resultando no homicídio de outrem. Tendo isso como base, podemos julgar que, ao contrário do preconceito (que não é doença, fobia ou sociopatia), a intolerância é sim um caso grave de violação das normas de conduta social.  A atitude do intolerante é, por padrão, punida pelas instituições constituídas e poderia ser tratada psicologicamente e psiquiatricamente.

Enfim, acho que o mais importante disso tudo é buscar informações além das que são noticiadas pelos jornais. Como cristãos somos acusados indistintamente de homofóbicos, intolerantes e preconceituosos, o que não corresponde à verdade. De fato, não concordamos com o casamento gay, com a adoção por indivíduo do mesmo sexo, nem com as chamadas relações homo-afetivas  Não temos tal posição como resultado de uma atitude irrefletida, preconceituosa; também não cabe a nós partir para a agressão, para a intolerância. Queremos simplesmente ter uma posição diferente e poder expressá-la livremente num diálogo entre pessoas racionais – que sabem que numa sociedade existe diversidade de ideias e opiniões. Infelizmente muitos que se julgam vítimas são os primeiros a serem preconceituosos em relação a opiniões contrárias. Nessa confusão de termos que se instaurou,  nós questionamos: acaso “respeito” no dicionário gay é significa de egocentrismo?

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    HUGO, Victor. Nossa senhora de Paris. São Paulo: Edições de ouro, [19--]. 377 p.

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    STORONI, Paola Boccardi. Unusual Guide to the History, the Secrets, the Monuments and the Curiosities of St. Peter's Basilica. Roma: Newton & Compton, 2000. 255 p.

    D'ARCAIS, Paolo Flores; RATZINGER, Joseph. Deus Existe? São Paulo: Planeta, 2009. 128 p.

    FLAUBERT, Gustave. Madame Bovary. São Paulo: Abril, 2010. 448 p.

    SHAKESPEARE, William. Sonho de uma noite de verão. Porto Alegre: L&PM, 2002. 128 p.

    CHESTERTON, G. K. A inocência do padre Brown. Porto Alegre: L&PM, 2012. 256 p.

    DUMAS FILHO, Alexandre. A dama das camélias. São Paulo: Nova cultural, 2002. 270 p.

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