Muitas pessoas se perguntam se é possível ser homossexual e católico ao mesmo tempo. Outras pessoas simplesmente irritam-se dizendo que a Igreja é uma instituição preconceituosa e retrógrada. Talvez possamos nos perguntar o porquê disso tudo…
Ao que se sabe, a Igreja não se propõe a dizer as origens da homossexualidade. Portanto, não interessa aqui saber se a atração homossexual é uma escolha ou uma condição. A postura é de orientação aos fiéis que livremente aceitam o ensino católico sobre o assunto. E qual seria esse ensino?
Antes de tudo, devemos lembrar que para a Igreja a homossexualidade pode ser vista sob dois aspectos:
A-Pessoas com tendências homossexuais;
B-Pessoas com tendências homossexuais que praticam o ato homossexual;
Para a Igreja, em qualquer matéria, não existe condenação do indivíduo, mas das escolhas feitas por estas pessoas quando confrontadas com o ensinamento cristão. Portanto, vamos ser bem claros, se você já foi católico e teve RELAÇÕES SEXUAIS com pessoas do mesmo sexo, não quer dizer que você está automaticamente condenado e vai direto para o inferno!
Porém, deve-se deixar claro que alguns ponteiros devem ser ajustados. O catecismo da Igreja Católica diz que as relações homossexuais entre dois homens ou duas mulheres são contrárias à lei natural. Fecham o ato sexual ao dom da vida. Não procedem de uma complementaridade afetiva e sexual verdadeira. Em caso algum podem ser aprovados.” Isso também não quer dizer que se você sente atração por uma pessoa do mesmo sexo está em pecado.
Para estes indivíduos a Igreja recomenda o celibato. Muitas pessoas podem afirmar: “ah, você será infeliz, pois está reprimindo sua natureza”. Claro que não! Primeiro que o celibato não anula (mas atenua) sua atração sexual. Segundo que resumir a felicidade à sexualidade é de um reducionismo monstro. Mas o celibato não é uma postura arbitrária para punir os gays. A Igreja não busca a punição destes indivíduos, mas uma forma de fazer com que a sua sexualidade não lhes impeça de alcançarem a salvação. E porque o sexo homossexual pode ser um impecílio para isso? Simples, porque a Igreja ensina que este ato é “contrário à lei natural”. Os ativistas do movimento LGBTUVXZ provalmente darão uma dúzia de contra-argumentos para provar que os atos homossexuais são naturais (ex.: ocorrem no reino animal, em tribos isoladas, etc.). Mas a questão não é essa. Se eu quiser relativizar algo, farei de tudo para parecer o mais convincente possível. No entanto, na lei natural ensinada pela religião católica, podemos afirmar contundentemente que tratam-se de atos desordenados. Mas vamos ao que interessa: pesquisando na rede, descobri duas coisas interessantes:
Este grupo de auxílio espiritual surgiu a partir da iniciativa do último arcebispo de Nova Iorque, Terrance Cardeal Cooke. Este cardeal percebeu que existem milhares de pessoas que “precisariam viver a liberdade da castidade interior e nesta liberdade encontrar os passos necessários para viver uma vida cristã plena em comunhão com Deus e com o próximo”. Assim, convidou o padre John F. Harvey, O.S.F.S. para iniciar o apostolado Courage em sua diocese. São estipuladas cinco metas a serem alcançadas: castidade, oração e dedicação, companheirismo, apoio e bom exemplo.
Quem tiver interesse pode entrar em contato com os responsáveis e iniciar reuniões em sua localidade. As reuniões tem como objetivo fazer com que os membros “rezem juntos e compartilhem suas histórias de vida e ideias, de modo que cada um ofereça mutuamente companheirismo e encorajamento para a vivência das cinco metas.”
Isto é uma palhaçada! Ops, eu tinha prometido que ia fazer uma análise imparcial das duas propostas. Este é um site iniciado no Rio de Janeiro em 2006 e procura adequar (deturpar) os ensinamentos da Igreja Católica à vivência sexual entre pessoas do mesmo sexo. Vou dar só uma palhinha:
Alguns documentos da Igreja classificam os atos homossexuais como “intrinsecamente desordenados”. Importante frisar que, de acordo com a doutrina, “desordem” é uma classificação insuficiente para determinar o pecado.
É muito claro que há uma livre-interpretação dos ensinamentos da Igreja Católica. Eles tentam desconstruir uma postura clara e conhecida por meio da mitigação das palavras retirando-as do contexto. Não é porque está escrito no Catecismo “atos desordenados” no lugar de pecado que podemos concluir que as relações entre pessoas do mesmo sexo são louváveis. Se eu quiser provar que a bíblia aprova as relações homossexuais, poderia fazê-lo. No entanto, quem faz isso só engana a si mesmo. Cria um mundo de fantasia no qual ele vive somente o que lhe convém. A vida seria tão mais fácil se fosse assim, tudo do jeito que agente quer… mas a verdade é que temos percalços a enfrentar e estes nos dão maturidade para alcançarmos nosso objetivo maior: a felicidade.
Estão aí duas propostas, uma boa, outra má. Para quem não consegue ver na Igreja algo além de uma instituição anti-gay, dificilmente dará qualquer atenção sincera ao que digo aqui. Temos que compreender que as coisas estão muito além do preto e do branco. Assim como nem todas as pessoas que sentem atração por outras do mesmo sexo são promíscuas, não podemos dizer que a Igreja é isto ou aquilo sem nos despirmos de preconceitos estúpidos. Amar é uma porta para a verdade, quem ama vê além dos estereótipos. Talvez o que falta é um pouco de amor para compreendermos o caminho certo para a nossa vida. Basta amar e descobrir.






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