Eu gostaria de aproveitar o espaço do blog para falar sobre o modo de se vestir na missa. Eu realmente não teria conteúdo para falar sobre as roupas femininas, mas vou tentar dar um panorama geral para ambos os sexos. Este tema é sempre interessante porque tem-se, em geral, a falsa noção de que a missa é um lugar de festa e, assim, temos que nos vestir à caráter. Não é bem assim.
Certamente temos que nos felicitar de muitas formas na missa, afinal de contas, Eucaristia vem do grego e quer dizer justamente ação de graças. No entanto, a ação de graças ocorre num momento dramático da vida de Jesus Cristo – a Crucifixão. Ora, a ação de graças que acontece na missa começou no dia da condenação do Filho de Deus e se perpetua até os dias de hoje. Esta ação de graças é compatível com o tamanho da ofensa que o homem causou, causa e causará à divindade, portanto infinita. Neste sentido, podemos dizer que não se vai a um sacrifício como se vai a uma festa.
O Espírito da Santa Missa não é triste, mas sóbrio. Estaremos acertando na escolha das roupas quanto mais próximos estivermos do sóbrio, do neutro e do formal. Muitos tentam “florear” (leia-se relativizar) o sentido mais profundo da missa, dizendo: é também ressurreição, é também louvor a Deus, é também ação de graças. Sim, a missa é tudo isso, mas tudo isso se dá não pela ocasião (que como já disse é dramática, um sacrifício), mas porque o próprio Filho de Deus protagoniza a ação neste grande mistério.
Neste sentido, resolvi fazer uma listinha de dez elementos que, na minha opinião, não se adequam ou se encaixam com o momento da missa:
1-Calças coladas/apertadas/rasgadas
2-Decotes (frontal e nas costas)
3-Bermudas e shorts
4-Sandálias (para homens)
5-Regatas/blusas sem manga
6-Itens de chapelaria
7-Camisas de times de futebol/propagandas/partidos políticos
8-Maquiagem pesada
9-Exagero no uso de perfumes
10-Roupas transparentes
Existem outros itens que mereceriam a nossa atenção. Porém, por falta de tempo vou me ater somente a estes acima citados. Muitos poderiam rebater minha opinião dizendo que “Deus me aceita como eu sou” ou “nem todas as pessoas têm condições financeiras para se vestir bem”. Primeiramente, a roupa é um acidente para Deus. Lembremo-nos do Éden – lá não se usava roupas mesmo. Mas como a concupiscência existe, não há por onde fugir, temos que nos policiar para não sermos pedras de tropeço para o outro. Quando queremos chamar atenção na missa, na verdade estamos desviando aquela pessoa do propósito essencial do momento, que é o encontro com Deus. Depois, a questão financeira é uma desculpa para poucos. O decoro não tem a ver com o preço da roupa, mas com a escolha das mesmas. Vejamos os protestantes, em qualquer igrejinha de esquina vê-se as mulheres usando saias e os homens de terno e gravata. Claro que não é preciso que sejamos radicais a ponto de obrigar uma pessoa que não tem condições a comprar um terno que poderia afetar a alimentação da família. E nem é preciso que se vista tão formalmente a cada domingo. Ainda assim, precisamos ter consciência de que estamos indo ao encontro do nosso Deus e, mais uma vez, neste encontro a relação é vertical. Já falei sobre isso em relação a arquitetura das igrejas. De nada adianta uma igreja gótica belíssima com fiéis vestidos para uma “balada de Deus”. Quem sabe se mudarmos nossa postura o clero possa transmitir estes valores tão profundos para as paredes da Casa de Deus, não é mesmo?




