A experiência de ter participado da minha primeira Jornada Mundial da Juventude em Madri foi incrível. A semana que passei em Madri foi a segunda depois de uma peregrinação que fizemos por Portugal e Espanha (contarei mais depois para não desviar o foco). Assim, estar em Madri teve o gosto todo especial de ser o ápice de uma caminhada de fé. Vejamos alguns pontos que me marcaram…
No Estádio do Real Madrid
Eu não sou um grande apaixonado por futebol, mas ter uma festa de recepção no Estádio do Real Madrid foi uma experiência muito tocante. Este presente foi, digamos, exclusivo para os membros do movimento Regnum Christi, do qual sou membro aderido. Tenho certeza de que este foi um presente especial de Deus para esta família tão ferida pelos pecados de seu fundador (Marciel Degollado). Pudemos nos conhecer, compartilhar experiências e, acima de tudo, comprovar que verdadeiramente “onde abundou o pecado superabundou a Graça” (Rm 5, 20)
A festa pelas ruas
Não houve nada tão marcante quanto a alegria dos jovens pelas ruas de Madri. Os encontros com o papa são sempre emocionantes, mas deve-se ressaltar que o encontro verdadeiro foi com Jesus Cristo Ressuscitado. A foto acima mostra um pedacinho do nosso grupo de mais de cem pessoas no Passeio do Prado. Foto cheia, não? Pois pense nesta foto numa perspectiva multinacional por cada metro quadrado de Madri… Bom, foi mais ou menos assim. Parece história de pescador ou de gente deslumbrada, mas eu nunca andei numa cidade tão cheia assim. Eram brasileiros, italianos, coreanos, enfim, tinha gente de todas as cores e bandeiras. Uma coisa que me emocionou muito foi ver a troca recíproca de homenagens pelas calles de Madri. Ouvíamos brasileiros cantando: ”Italiani batti le mani” (clap clap clap…) e o inesquecível “lará lará lará lará…Brasil, Brasil, Brasil, Brasil” (tentativa dos estrangeiros de cantar Aquarela do Brasil). No entanto, o grito de guerra das ruas que mais marcou foi, sem dúvida, o “esta es la juventud del papa”. Quando um dos grupos puxava este grito na estação do Metrô, todos paravam o marketing nacionalista imediatamente. Era um só coro a cantar esta bela homenagem ao papa independente da língua de origem. Observar o rosto dos madrilenhos que, não obstante a “festa” tentavam tocar a vida, foi algo indescritível. Era uma mistura de contentamento com choque. Digo isto porque a Espanha vive um laicismo fortíssimo. O papa falava disso há algum tempo, mas eu não tinha noção até chegar em Madri. O contentamento não era por serem jovens que vinham ver o papa, assim como o choque não era pela multidão. Estes dois sentimentos se misturavam na cabeça dos madrilenhos como uma vaga lembrança da herança católica há muito esquecida. O papa trouxe seu exército para dizer à Europa “A alegria do Senhor é a nossa força”. E o inferno tremeu…
Notícias tupiniquins
Fiz o possível para ligar para o Brasil todos os dias (ainda que acessar a internet não fosse possível). Meus pais sempre diziam: “cuidado com essa bagunça aí, ein?” ou “Não se envolva com estas confusões”. Eu já sabia que haveria no dia 17 um protesto contra a visita do papa um dia antes de sua chegada, mas não tinha dado a mínima atenção. Mais ainda, acho que dos peregrinos da jornada nem 1% ficou sabendo de alguma coisa neste sentido. Era estranho que ouvíssemos notícias tão estapafúrdias diante do que estávamos vivendo. Aliás, eu não conseguia entender como o irrelevante se tornou dominante diante de tanta matéria jornalística mais interessante. Estávamos vivendo num clima tão positivo, tão amistoso que nada poderia efetivamente ser voz contrária ali. Eu estava jantando e pude ver a algazarra dos anti-clericais na Puerta del sol. Foi muito engraçado ver a pífia investida dos inimigos quando Deus resolve abrir as portas do céu. Era melhor terem ficado em casa. Seria mais bonito…Ainda mais quando:
A Confederação de Empresários local calculou em 160 milhões de euros o lucro que a cidade obteve com a visita oficial de Joseph Ratzinger.
Good Catholics use condoms
No entanto, nenhuma investida do inimigo foi tão forte quanto a das feministas do Catholics Pro Choice (Católicas pelo Direito de Decidir). Elas montaram acampamento na Puerta del sol (um dos lugares mais movimentados) para distribuir panfletos deturpando o ensinamento católico sobre preservativos. Recebi um destes panfletos que dizia: “We thank Pope Benedict for acknowledging that condoms save lives” (agradecemos o papa Bento por reconhecer que camisinhas salvam vidas). Ou seja, elas aproveitaram-se de uma mentira dita muitas vezes para torná-la verdade. E, fazendo-se passar por católicas, distribuíram camisinhas em plena Jornada Mundial da Juventude. Aquilo me irritou profundamente, mas um padre me alertou de algo óbvio: “quanto menos darmos atenção, menos publicidade elas irão ganhar”. Parece que deu certo e o efeito não foi tão estrondoso quanto poderia ter sido.
Tu es Petrus
Tenho certeza de que para os peregrinos a JMJ ainda vai durar muito tempo. Isso porque por mais estivéssemos in loco, não foi nada fácil ouvir e meditar sobre as palavras do papa. Somando o calor, a multidão, o som, a emoção e alguns outros fatores a mais, ficava realmente difícil se concentrar em palavras tão profundas quanto as ditas pelo Sumo Pontífice. Ainda assim, a graça de tê-lo sorridente, amável, sensível diante das adversidades do tempo foi mais uma prova de que ele Deus não nos desampara. Certamente eu queria ter falado com ele, beijado suas mãos sacerdotais, dito o quanto eu estava feliz pelas suas palavras de amor e alento. Mas eu não sei se poderia ter sido melhor do que foi. Eu estava num bom lugar, com pessoas amigas e ainda levamos sessenta pizzas brasileiras para aguentar o dia de espera pelo Sucessor de Pedro.
Próxima Jornada no Rio:
Como vocês sabem, fui ao Rio recentemene. Eu me surpreendi e acho que teremos muitos frutos para a próxima Jornada. No entanto, uma notícia interessante sobre o Novo Mapa das Religiões, da Fundação Getúlio Vargas (FGV) divulgado ontem, provou mais uma vez que “as portas do inferno não prevalecerão” quando da escolha da próxima Jornada Mundial da Juventude. Em trechos:
Embora continue maioria, a população católica chegou a 68,43% do total de brasileiros, o equivalente a 130 milhões de pessoas. Pela primeira vez a proporção foi menor de 70%.
[...]
A queda mais acentuada aconteceu justamente entre os jovens de 10 a 19 anos, principal alvo do encontro de 2013 no Rio. A proporção de jovens católicos no Brasil caiu 9%, passando de 74,13% para 67,48%.
Confesso que não foi tão surpreendente o anúncio do papa após a missa no domingo. Aliás, a fofocaiada foi tão grande que me deixou até entediado no momento do anúncio. Mas acima de tudo, espero que a próxima Jornada possa reverter o triste quadro mostrado acima. Quero participar de muitas outras e concluo meu resumo dizendo que voltei com o coração transbordando na alegria de estar mais enraizado em Cristo. Como disse um padre durante estes dias “podemos sentir falta de tudo o que vivemos, só não podemos sentir falta de Cristo”.












