A Jornada Mundial da Juventude (JMJ) me marcou profundamente. É difícil pensar em outros temas para o blog que não sejam relacionados com este acontecimento tão impressionante (pelo menos nessa semana). No entanto, desta vez quero voltar uma semana antes da JMJ para falar um pouco sobre a peregrinação que fiz por algumas cidades de Portugal e da Espanha. Fiz um diário de bordo para cada dia de viagem. Porém, estou tento que pagar os dias de viagem, de modo que estou quase sem tempo hábil. Proponho os destaques destes dias tão maravilhosos que me fizeram repensar a vida e o meu relacionamento com Deus:
Highlights
1-Fátima
Participei de uma missa Santuário de Nossa Senhora de Fátima lindíssima. A liturgia foi muito piedosa, com direito a uma cantora lírica e órgão. O fato de a missa ter sido em português – idioma falado pelos pastorinhos – nos deixa mais próximos de Nossa Senhora de algum modo. A visita ao santuário foi repleta de grande espiritualidade. Não havia como estar naquela cidade sem sentir minimamente o poder de Deus. Os sinais da fé eram visíveis por meio de tantos e tantos peregrinos que se ajoelhavam pela Esplanada demonstrando pela penitência que Deus fora fiel em suas vidas.Lembro novamente o que disse no relato que fiz ao blog do site jovens conectados sobre a igreja nova da Santíssima trindade:
Se grandiosa por um lado, Fátima também é um lugar de contradição. A mim pareceu um grande campo de batalha a céu aberto, tendo o Santuário de Fátima de um lado (belo, sacro, reverente) e do outro lado a monumental igreja da Santíssima Trindade (modernista, antropocêntrica e estéril).
Não obstante, pude participar da oração do terço em várias línguas (por que não em latim?) e da bela procissão das velas à noite. Fátima me faz pensar em Deus porque o culto a Maria é inteiramente teocêntrico. Não há como admirar uma mulher tão especial sem admirar mil vezes mais o criador desta mulher. Pude confiar as intenções dos meus e principalmente refletir sobre o quão ingrato eu era diante de tão grandioso presente. Mas Fátima também tem um perigo e este é a tentação de comprar até morrer nas diversas lojinhas espalhadas pela cidade. Culpa do maldito capitalismo….rs
2-Santiago de Compostela
Logo que saímos de Portugal em direção a Santiago de Compostela tivemos o impacto da diferença idiomática. Daí para frente passamos a usar a inseparável expressão “¿Cuanto cuesta?”. Mas a surpresa não parou por aí. Encontramos uma linda cidade com características medievais. Cada ponto tinha algo a nos dizer. Ao caminharmos pela cidade pudemos ouvir um tocador de gaita de fole e mais a noite um violinista fazendo uma apresentação de música celta.
Visitamos o convento de São Francisco do Val de Deus, uma incrível obra do século XIII. O guia nos contou que São Francisco de Assis, em peregrinação a Compostela em 1214, hospedou-se com um carvoeiro em sua choupana. Então, encomendou a este que construísse o mosteiro que se encontra lá até hoje. Sem dúvida foi apenas um aperitivo para o que ainda iríamos encontrar pela frente.
Na praça principal de Santiago pude contemplar a beleza da Catedral erigida em honra ao Apóstolo de Cristo. É desconcertante pensar que cada ponto da estrutura tem um significado. Algo bem distinto das igrejas que conheci durante os meus 22 anos de vida. Já na Catedral, tive a surpresa de saber que os peregrinos poderiam abraçar o Apóstolo. Subimos até a parte traseira do altar até a imagem principal de São Tiago. Lá realmente abracei a estátua. Acho que foi um dos momentos mais importantes da minha vida. Claro que o Apóstolo não estava ali de verdade, mas aquele gesto me lembrou da comunhão dos santos…foi um modo de eu me lembrar que não estamos sós. Há quem ore por nós, quem nos abrace carinhosamente na fé. Em seguida, outro momento muito bonito foi a visita ao túmulo onde, segundo a tradição, estão os restos mortais de São Tiago. Pensem na emoção de um encontro com um dos escolhidos de Cristo!
Para arrematar, participamos de uma missa carismática ( =/ ) com o bispo de Santiago. Depois da missa incensaram o templo com o gigantesco botafumeiro. Um espetáculo aos olhos! A cidade estava efervescendo de peregrinos por ocasião da Jornada Mundial da Juventude. A comida local é muito boa e os artesanatos são relativamente baratos. Pude comprar um chapéu do peregrino com uma concha na frente. Foi um sucesso!
3-Ávila
Ao chegarmos à cidade de Teresa, passamos pelo monumento conhecido como Cuatro Postes. Este monumento representa o local onde Teresa e seu irmão (ainda crianças) foram encontrados após a tentativa de fugir para morrerem mártires nas cruzadas. Deste ponto se podia ver a belíssima muralha intacta que contorna toda a cidade de Ávila. Conhecemos a Catedral da cidade e a Igreja erigida em honra à Santa. Também visitamos o convento onde ela teve as principais visões com Cristo.
Participei de uma missa em francês (perdi a missa do nosso grupo) e para a minha surpresa tinha palmas e músicas animadinhas. Algo que pensava só existir no Brasil…À noite, também por ocasião da JMJ organizaram uma projeção nas muralhas da cidade contanto a história das universidades católicas pelo mundo. Algo de primeira qualidade.
Ávila nos leva a um encontro com uma das mais importantes doutoras da Igreja. Teresa reformou o Carmelo e teve enorme importância na consolidação deste conceito no seio da Igreja. Reforma é exatamente isso, aprimorar, melhorar algo que se ama para que possamos amar ainda mais. Bem diferente do conceito de Reforma Protestante – ato de insujeição e rebelião que só provocou feridas nos Corpo de Cristo.
Enfim, meus caros. Vivi momentos especialíssimos em Coimbra, Batalha, Porto Lisboa, Braga, León, Toledo, Segóvia e Madri (esqueci alguma?), mas gostaria de destacar estas três cidades pela importância no âmbito espiritual. A visita a estas cidades me fez amar mais a minha fé, além de ficar cheio de coragem para anunciá-la a todos os povos. Amei esta viagem. Foi especial por muitos motivos. Deixo aqui um brevíssimo relato do que vi e ouvi, mas tenham certeza de que as coisas que lá aconteceram estão muito além do que as palavras podem traduzir. Alías. este foi um presente majestoso para alguém despido de qualquer majestade. Mas, ainda assim, quero dizer em alto som: Senhor, obrigado por tudo!




