Hoje em dia parece-me que ganha quem convence mais (existe até um programa no SBT assim). Independente de a pessoa estar ou não com a verdade, se ela tem uma boa oratória, é capaz de mover massas, de mudar os rumos da história. A oratória assim se converte num grande instrumento de propaganda de ideias.
Porém, é necessário fazer um adendo: ter uma boa oratória é diferente de ter carisma. A oratória é aprendida, o carisma está no âmbito da personalidade. Madre Teresa tinha um apelo midiático monstruoso. Apesar de ter frases-chave em sua biografia, não era boa de oratória.
Antigamente, nos seminários (não sei como está hoje em dia), os padres eram obrigados a estudar oratória. Hoje em dia, as técnicas foram sendo esquecidas, de modo que é comum acreditar que a pessoa nasce sabendo pregar. O bom pregador é capaz de ludibriar, iluminar, censurar, ensinar em poucas palavras e, por outro lado, poderia passar horas falando sem cansar o público.
Em se tratando de oratória, o século XX apresentou diversas personalidades de peso que, para o bem ou para o mal, usaram do poder da palavra para comunicar uma mensagem. Estavam lá, lado a lado de Martin Luther King Jr. e Hitler, Mussolini e Billy Graham. Entretanto, houve um grande pregador que poucos mencionam. Trata-se de Dom Fulton Sheen, um grande bispo norte-americano. Brandon Vogt reuniu algumas dicas que Sheen deu a uma freira para melhorar uma palestra. Confira:
1. Tom de voz: um determinado tom pode fazer-nos lembrar de Platão mesmo depois de três ou quatro dias depois da palestra. É a qualidade tonal que atinge o público.
2. Quando ouvir um pregador, conte as palavras a cada pausa de respiração. Indique cada palavra por uma barra e cada pausa por um traço. Se for tipo -/-/, provavelmente esse discurso será maçante, tedioso e antiquado.
3. Evite uma voz de púlpito. Seja natural. Como disse Disraeli, “Não há nenhum índice de caráter tão eficaz quanto a voz”.
4. Aprenda o valor das pausas. Antes de ser para o próprio interesse, mas para enfatizar ou permitir que o pensamento possa fluir pelo público. Eles precisam de tempo para digerir.
5. Um sussurro pode ser mais valoroso que um grito. Macaulay disse certa vez a respeito de Pitt, “mesmo um sussurro dele no canto mais remoto da Câmara dos Comuns era ouvido”.
6. Caso haja alguma comoção, perturbação ou atrasados, não ouse levantar a voz; abaixe a voz e assim o público tentará alcançar o sussurro.
7. O público é infalível no julgamento entre a voz natural e a artificial.
8. Faça da primeira frase a mais interessante. Nunca declare o óbvio, por exemplo: “hoje celebramos o 25º aniversário…”
9. Somente pregadores nervosos precisam de água.
10. Se a síntese é a alma da inteligência, o segredo da oratória é “saber quando parar”.
11. Antes de começar, faça uma pausa por alguns instantes. Como uma mãe não pode esquecer-se da criança em seu ventre, não podemos nos esquecer dos filhos do nosso cérebro.
12. Comece sempre com a voz baixa.
13. O público necessita de um empurrão; sinta-se superior, não tímido ou obsequioso.
14. Para começar, conte uma história em que você se saiu o segundo melhor.
Resumindo:
1. Fale naturalmente;
2.Use a veemência;
3.Sussurre confidentemente;
4. Argumente de modo pesaroso (emotivo);
5. Proclame distintamente;
6. Reze constantemente.





