Como sabemos, os brasileiros não estão muito bem das pernas nessas Olimpíadas. O que deveria ser uma mostra do que vem em 2016 me fez, sinceramente, desanimar um pouco em relação ao nosso grupo de atletas que farão as honras da casa daqui a 4 anos. Uns já falam em aposentadoria, outros lamentam a vergonha e enquanto isso amargamos um estado de congelamento fora do pódio.
Mas não podemos desanimar. Continuo gostando do evento do evento da mesma forma e ainda tenho fé numa reviravolta da delegação brasileira. Falando em fé, encontrei um excelente artigo do The Gregorian Institute que lista alguns atletas norte-americanos que aproveitaram o destaque midiático para testemunhar abertamente a alegria de serem católicos. É realmente algo raro de se ver e mais um motivo de decepção por saber que testemunhos assim dificilmente ocorrem no maior país católico do mundo. O artigo é bem interessante e me faz ver um dia Cielo, Robert Scheidt, kitadai, Thiago Pereira e outros falando como a fé é importante em suas vidas e dando graças ao verdadeiro doador de tantos dons. Segue:
Para promover a identidade católica na vida pública, você deve promover a identidade católica na vida pública quando você se depara com ela.
Nesse espírito, queremos apresentar competidores católicos e outros católicos dignos de nota que estão participando das Olimpíadas em Londres.
Não há maior estágio nos esportes e nenhum caminho mais rápido para o reconhecimento que ser um competidor nas Olimpíadas. Seus testemunhos são sinceros e inspiradores. Por meio deles vamos perceber que você não precisa esconder a sua fé para ser bem sucedido. Ainda que no nível da medalha de ouro:
Mariel Zagunis: duas vezes medalhista de ouro olímpica na esgrima, Mariel conduziu a delegação norte-americana no desfile das nações na Cerimônia de Abertura das Olimpíadas 2012 em Londres. Depois da sua primeira medalha de ouro em Atenas ela testemunhou publicamente a sua fé. Na ocasião ela disse ao National Catholic Register em 2004: “Minha fé em Deus realmente exerceu um grandioso papel na minha vida como nunca antes quando eu não fui convidada a fazer parte do time”, disse a atleta de 19 anos. “Foi um daqueles desencantamentos na vida que te leva a pensar no que é real e importante, no que importa”.
Lopez Lomong: outro católico que carregou a bandeira para os Estados Unidos em Pequim. Em Londres nesse ano Lopez competirá na prova de 5000 metros (semifinal dia 8 de agosto e final dia 11 de agosto). Lomong é um dos “Garotos perdidos” (Lost Boys) do Sudão. Foi resgatado enquanto assistia uma missa aos 6 anos de idade. Ele e outros garotos escaparam de um acampamento rebelde arrastando-se por um buraco de cerca. “Poderíamos ter sido comidos por animais ou poderíamos ter sido capturados e mortos por outras pessoas”, disse ele, “porém, Deus estava lá para nos proteger”. Ele foi para s Estados Unidos aos 16 anos e tornou-se cidadão americano em 2007.
“Deus me abençoou, deu-me forças para ser fiel e mais seguro para superar os obstáculos da minha vida”, disse ele ao USA Today. “Ele tinha um plano para mim. Ele sabia que eu viria para a América e constituiria uma família”.
Missy Franklin: medalha de ouro no último dia 30 de julho no revezamento medley 4×100. Além disso ela detém o recorde mundial dessa mesma modalidade.
Ainda que Missy não seja católica ela deu um belo testemunho de educação católica. Numa excelente entrevista ela partilha o que pensava ao entrar no Regis Jesuit High School em Aurora, Colorado:
“Desde aquele momento eu sabia que Deus estava comigo. A cada dia dos últimos três anos a minha fé só cresceu. Um dos meus momentos prediletos era poder visitar a linda capela da escola e passar algum tempo com Deus. Nesse ano eu participei do Kairos (um retiro) com as irmãs jesuítas e aquilo mudou a minha vida para sempre. Agora eu realmente trabalho para manter a minha fé firme”.
Kathleen Hersey: é uma nadadora que também representou os Estados Unidos nas Olimpíadas de Pequim. Sua participação em Londres foi justamente ontem, dia 31 de Julho, nos 200 metros borboleta (fez o melhor tempo).
Sua página no twitter inclui um versículo de Jeremias 29, 11: “Bem conheço os desígnios que mantenho para convosco – oráculo do Senhor -, desígnios de prosperidade e não de calamidade, de vos garantir um futuro e uma esperança”. Ela é adotada e o George Bulletin conta o quanto “ela é agradecida por sua mãe biológica ter escolhido a vida e do mesmo modo por seus pais adotivos serem seus pais”.
Katie Ledecky competirá pelos Estados Unidos nos 800 metros livres. A prova de classificação será no dia 02 de agosto e a disputa por medalhas, dia 03.
O Catholic News Service trouxe-nos o seu testemunho de fé: “Eu sempre rezo antes da competição”, disse Ledecky. “Eu rezo uma Ave Maria”.
Ela relata que o impulsionamento de sua fé pode ser creditado às irmãs Servas do Imaculado Coração de Maria, na escola Little Flower em Betesta. Para Ledecky elas foram seus “grandes modelos”.
A ginasta Jordyn Wieber foi o centro das atenções quando ela foi desclassificada na ginástica individual, não por não ser boa o bastante, mas porque cada país só poderia ter duas atletas. Ainda assim ela competirá na prova por equipes.
Jordyn é citada na Faith Magazine (Diocese de Lansing) de Julho/Agosto onde ela diz: “Eu gosto de olhar para a minha habilidade na ginástica como um grande dom de Deus”. E acrescenta: “Sem Deus na minha vida, eu sinto que nada teria sentido”. Ela atribui a sua fé aos seus pais: “meus pais sempre fizeram com que ir para a Igreja com a família fosse algo importante”. “Às vezes temos que nos separar por causa das nossas agendas, mas a maioria das vezes nós podemos ir à missa juntos”.
Leo Manzano: competirá nos 1500 metros na sexta, dia 03 de agosto. Ele é paroquiano da igreja St. Ignatius the Martyr em South Austin, Texas.
Manzano diz que começou a disputar corridas com seu avô ainda criança. “Eu perdia todas as vezes”, relembra, até o dia em que seu avô quebrou seu pé. Leo participou da missa de despedida antes de partir para as Olimpíadas na Europa. Além disso ele encontrou-se com estudantes da escola St. Ignatius, Martyr para falar sobre atletismo e fé. Ao fazê-lo por ocasião das Olimpíadas, foi ao Facebook para agradecer a Deus, a sua mãe, ao seu pai, aos seus irmãos e irmãs, nessa ordem.
Diego Estrada, um líder de grupo de estudo bíblico, é também corredor e estará disputando a prova dos 10.000 metros pelo México. Ele fazia parte do grupo Focus na Northern Arizona University, o grupo de estudantes católicos da universidade (Focus foi fundado no Benedictine College)
“O catolicismo e o cristianismo é uma grande parte da minha vida diária. Eu acordo com oração e vou para a cama com oração. Antes da corrida eu também rezo”, disse ele ao National Catholic Register nesse ano.
Não-atletas …
O abade Christopher Jamison da TV fama é um capelão católico para os meios de comunicação. Ele chamou a vila olímpica de “paróquia temporária”. O ministro católico de 2012 disse ao Our Sunday Visitor: estamos preparados para dar as boas-vindas ao mundo que chega ao Reino Unido e somos impelidos a testemunhar o amor de Cristo e acima de tudo a paz”.
Irmão Colm O’Connell, treinador, é o humilde monge irlandês que pôs o Quênia no topo. O jornal UK Independent recentemente contou a história do professor de geografia que tornou-se treinador de corrida. O repórter explica que “o irmão Colm tem sido o grande responsável pelo desenvolvimento dos quenianos na corrida, impulsionando os múltiplos talentos naturais que passam pelas portas de São Patrick, uma escola para 700 garotos maiores de 15 anos nas regiões do Iten e do Eldoret.
Bônus:
John Pius Boland foi duas vezes campeão olímpico e ex-membro da Catholic Truth Society. A Catholic Truth Society é uma notável organização britânica que publica artigos muito profissionais, profundos e acessíveis. Eu pessoalmente tenho a agradecê-los por terem me dado uma excelente base na fé que eu redescobri quando estudei fora do país. Minha esposa compra suas publicações para seus catequisandos da crisma.
Adoração perpétua está sendo oferecida aos visitantes das Olimpíadas na igreja São Francisco de Assis, a leste de Londres, como noticiou o Catholic Herald.





