Sentinela no escuro

A quem iremos nós?

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Um minuto de atenção, por favor!

Postado por Vinícius Farias em 28/11/2012
Publicado em: Espiritualidade. Marcado: desperdício, Deus, eternidade, marca, minuto, Orient, Redes Sociais, relógio, tempo. 1 comentário

Vejam este vídeo:

O novo comercial da marca de relógios Orient me chamou atenção. Trata-se da seguinte mensagem: “1 minuto muda tudo”, na qual são mostradas diversas imagens em que 1 minuto faz toda a diferença nos diversos modelos de relógio da marca. Isso me fez refletir sobre o mau uso do nosso tempo. É engraçado como muitas vezes eu penso: “ah, vou entrar no Facebook só para ver o que está acontecendo. É rapidinho, afinal hoje tenho muita coisa para fazer…”. Nunca é assim. Eu me lembro de certo filme que assisti uma vez em que as pessoas são transportadas para dentro do videogame ou seja, para dentro da realidade virtual. Lá elas tinham a impressão de ter passado poucos minutos, mas quando voltavam percebiam que na verdade passaram-se anos. Acho que serve um pouco de alerta para o poder de alienação a que estamos sujeito e, pior, a que nos sujeitamos livremente.

No vídeo, a maioria das cenas (em que um minuto faz toda a diferença) são referentes a esportes. Nos esportes, em geral, você tem que dar o seu máximo no pouco tempo que lhe é dado. Para atingir esse objetivo, é preciso treinar muito. O fato é que na maioria das vezes o treino não é tão interessante quanto estar sentado no conforto de sua casa vendo as novidades do Facebook. Pelo contrário, é preciso esforçar-se, suar, machucar-se algumas vezes. E se o treino for realmente bom, ou seja, se se dá o máximo a cada minuto, o resultado da competição oficial corresponderá às expectativas no menor tempo possível. Mas nem sempre as condições emocionais estão em sintonia com o esforço do treino. Nesses casos, sempre pode nos vir uma dose extra de ânimo no final da partida e reverter o placar. É aí que percebemos que a importância de cada minuto a mais.

De modo semelhante, penso que a oração é como o treinamento esportivo. Também não é, em geral, tão prazerosa quanto as redes sociais que consomem o nosso tempo. No entanto, se percebemos que um minuto a mais no treino pode mudar o resultado da partida, o que não é um minuto de oração num dia que estamos tristes? E mais, quanta diferença não fará um minuto de oração (se esse minuto for capaz de converter o nosso coração), diante da eternidade? É o que poderíamos chamar de minuto de ouro. É interessante imaginar a situação: no dia do juízo, depois que o inimigo nos acusar diante de Deus e de serem reveladas todas as nossas faltas, Jesus diz: “chega mais, meu amado”. Então, ele levanta seu manto real e nos mostra em seu relógio Orient dourado e cravejado de diamantes o passar de um minuto. Em seguida ele nos diz: “um minuto sempre muda tudo”, para nos lembrar que, como o bom ladrão que se arrependeu no último momento, o minuto da nossa conversão tocou o coração de Deus.

Acho que deveríamos promover uma campanha chamada “Um minuto para Deus”. Cada um poderia fazer o firme propósito de lembrar-se de Deus um minuto por dia. Se você já faz uma hora de meditação por dia, ótimo; se você já reza o rosário todos os dias, melhor ainda. Independente disso, sempre podemos ofertar um minuto a mais para Deus. Nesse minuto podemos pedir a Deus firmemente a conversão do coração ou oferecê-lo pela salvação das almas. Se faz diferença? Veja o vídeo novamente e perceba que sim, “um minuto muda tudo”.

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O demônio existe e pensa

Postado por Vinícius Farias em 26/11/2012
Publicado em: Eu recomendo, Fique Sabendo. Marcado: Demônio, Doutrina, Exorcismo, exorcista, Fé, Madri, padre Fortea. 1 comentário

O padre José Antonio Fortea é um dos raros exemplos de sacerdotes que denunciam a obra do demônio no mundo. É muito difundida hoje em dia, especialmente com os avanços da ciência psicológica, a mentalidade segundo a qual a maior parte das “possessões” não passam de distúrbios de ordem mental.

A respeito de uma de suas experiências de exorcismo, o padre Fortea falou da importância profunda do crucifixo e da água benta no ritual. No início de um exorcismo o padre Fortea lembra que toda a água da paróquia tinha congelado por conta de um rigoroso inverno e nesse dia em particular, ele não tinha nada de água líquida para benzer no quarto em que ele estava.

Na hora do desespero ele resolveu pegar um pouco de limonada para usar como “água-benta”. De certo modo o exorcismo não teve tanto êxito. Ao ordenar uma resposta ao demônio em nome de Cristo sobre o porquê daquele resultado, o demônio disse que a limonada não era tão eficaz quanto a água mesma, o que evidencia a importância do significado do símbolo (a pureza da água era de importância central).

Pois bem, resolvi traduzir uma interessante pergunta feita ao padre autor do livro Summa Daemoniaca, retirada do livro “Entrevista com um exorcista”. Dá para termos uma noção da profundidade de seus escritos. Aqui no Brasil, pelo que sei, há dois livros dele publicados pela editora Palavra & Prece, os quais recomendo vivamente. Segue a pergunta:

Pergunta: querido padre Fortea, em que um demônio pensa?

Resposta: Todo demônio retém a inteligência de sua natureza angélica. Demônios conhecem e informam-se com suas mentes sobre os mundos material e espiritual, sobre os mundos real e conceitual. Como seres espirituais, dos demônios são eminentemente intelectuais; não há dúvida de que eles são profundamente interessados em questões conceituais. Eles conhecem muito bem que a filosofia é a mais elevada das ciências e que a teologia é construída sobre a filosofia. A despeito desse conhecimento, todo demônio odeia Deus.

Ainda que os demônios deleitem-se no conhecimento das coisas, eles também sofrem como resultado de seu conhecimento – especialmente quando esse conhecimento os leva a pensar em Deus. Demônios constantemente apercebem-se da ordem e da beleza do Criador em todas as coisas criadas. Até mesmo em questões aparentemente neutras eles veem o reflexo dos atributos divinos.

Os demônios não estão constantemente engajados em tentar os seres humanos. Eles gastam a maior parte do seu tempo pensando. Eles sofrem durante aqueles momentos em que lembram-se de Deus e tornam-se conscientes de seu estado miserável, que é, o de separação de Deus. Como notamos previamente, a quantidade de sofrimento varia em intensidade de acordo com o grau de deformação moral do demônio.

Ah, não posso deixar de falar do documentário O exorcista no século XXI, produzido esse ano e que dá uma ideia do sério e árduo trabalho dos exorcistas modernos.

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Homossexualidade além da ideologia

Postado por Vinícius Farias em 23/11/2012
Publicado em: Eu recomendo. Marcado: Cura, Família, Homossexualidade, Humanae Vitae, Igreja, João Paulo II, lobby, Moral, Movimento Gay. 2 comentários

O “movimento homossexual” trata-se de um poderoso e atuante lobby internacional dos assim chamados homossexuais “assumidos” que reivindica, através de todos os meios, a equiparação moral e jurídica do seu modo de vida ao casamento. Um dos principais argumentos  declara que os homossexuais são uma pobre minoria discriminada cujos direitos humanos têm agora de ser finalmente reconhecidos e aceitos.

[...]

Tragicamente, esta ideologia, ainda acrescida de condimentos teológicos,  penetrou também em diversas comunidades cristãs e até em círculos católicos. Uma das grandes causas desse fato é obviamente a capacidade geral de aliciamento das pessoas pelo espírito da época, que também afeta católicos.  Uma outra coisa é indubitavelmente a rejeição da encíclica “Humanae vitae” nos países ocidentais. Quando ela surgiu, em 1968,  muitos intelectuais e teólogos católicos aceitaram a separação artificial do ato de amor da sua fecundidade, promovendo o sentido oposto ao da doutrina da Igreja. Desse modo, as ideias e as atitudes de muitos perante a sexualidade alteraram-se de uma forma tão sutil quanto trágica.

Uma vez que lhes parecia possível inibir a fecundidade  sem deixar de se unir “pelo amor”, deixou de ser realmente compreensível que o ato de amor devesse se consumar consoante a sua natureza. Para ocorrer a relação sexual seria necessária a introdução do pênis na vagina, mas por que isso também não poderia ocorrer sem a procriação? Conceitos como “autodeterminação sexual”, “jogos sexuais” e “fantasias sexuais” começaram a produzir o seu efeito. Começou-se por afirmar e depois a acreditar que qualquer ato sexual praticado com outra pessoa poderia ser um ato de amor, desde que se desse num ambiente de liberdade e no âmbito de uma relação humana positiva.

Quem seguiu até aqui o raciocínio, dificilmente terá, evidentemente, qualquer possibilidade de argumentar por que razão esta visão das relações sexuais – dito sem qualquer eufemismo – não se aplicaria também ao sexo anal, indiferentemente de se tratar, nesse caso, de uma mulher ou de outro homem.

Isto significa que a [má interpretação da] “Humanae vitae” teve repercussões a longo prazo e muito profundas, abriu a porta à ideologia homossexual e destruiu em não poucos católicos o “sistema imunológico” católico contra a ideia, no fundo monstruosa, de que uma vida em padrões homossexuais poderia ser admissível no seio do catolicismo.

[...]

Assim, nos encontramos hoje perante uma poderosa ideologia no sentido do politicamente correto, a qual afirma com pretensões dogmáticas: a homossexualidade é uma variante boa da natureza e os atos homossexuais podem ser tão boa expressão de amor quanto uma união conjugal. Quem não aceita isso é preconceituoso e comete, se também pregar ou difundir tal ideia, uma ação imoral e até punível.

Em semelhante época, abona a favor da corajosa objetividade de um cientista o fato de apresentar inequivocamente uma atitude de firmeza em relação aos resultados de sua investigação e, em defesa dos visados, também anunciar publicamente: as tendências homossexuais podem ser  alteradas com a ajuda de um terapeuta. Esta “alteração” ou “cura” terapêuticas podem significar várias coisas, tal como acontece com as doenças físicas. Dá-se o primeiro passo quando o visado é capaz de reagir frente à sua procura desenfreada por um parceiro (ainda que apresente uma direção instintiva ainda homossexual). Mais longe vai aquele que sente tendências homossexuais apenas em tempos de crise e é capaz de as dominar. O fim que se pretende é a cura total, isto é, a atração estável pelo sexo oposto. A experiência mostra que isso também é possível.

[...]

Visto que a Igreja ama as pessoas,  preocupa-se com o bem-estar geral dessa pessoa. Esse amor a leva a fazer tudo para aliviar aquele que carrega a sua cruz – sempre que isso seja de algum modo possível. Só então a mensagem da cruz redentora ocupa o seu devido lugar.

Dom Andreas Laun, no prefácio do livro “Homossexualidade e esperança”.

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Evangelização no Facebook: um termômetro

Postado por Vinícius Farias em 21/11/2012
Publicado em: Atualidade. Marcado: ano da fé, Bispos, Evangelização, Facebook, Internet, JMJ, Padres, Papa, Redes Sociais. 1 comentário

Gostaria de destacar dois campos, nos quais deve fazer-se ainda mais solícito o vosso empenho missionário. O primeiro é o das comunicações sociais, em particular o mundo da internet. Como tive já oportunidade de dizer-vos, queridos jovens, “senti-vos comprometidos a introduzir na cultura deste novo ambiente comunicador e informativo os valores sobre os quais assenta a vossa vida! [...] A vós, jovens, que vos encontrais quase espontaneamente em sintonia com estes novos meios de comunicação, compete de modo particular a tarefa da evangelização deste ‘continente digital’”. Aprendei, portanto, a usar com sabedoria este meio, levando em conta também os perigos que ele traz consigo, particularmente o risco da dependência, de confundir o mundo real com o virtual, de substituir o encontro e o diálogo direto com as pessoas por contatos na rede.

(Mensagem para a Jornada Mundial da Juventude, 18 de outubro de 2012)

Estive pensando, a Igreja tem proporcionado um momento de grande impulso missionário para os católicos. Tanto por ocasião do Ano da Fé quanto pela iminente Jornada Mundial da Juventude que se aproxima, é sabido que o papa deseja uma ação articulada dos fiéis. A internet, como podemos perceber na mensagem acima do papa para os jovens é esse novo areópago onde é possível e recomendável falar do Jesus que toca e transforma a nossa vida.

Dentro da internet, as redes sociais ocupam um lugar especial nessa nova ação missionária da Igreja. Que os católicos estão nesses meios, é evidente. Porém, a participação do clero é geralmente escassa e nem sempre tão eficaz. As páginas desses padres e bispos mais famosos são, em geral, gerenciada por assessores, sem muita pessoalidade e distinção. Não nos esqueçamos: nesse meio, como no mundo é muito fácil ser apenas mais um. Como sabemos, não basta postar passagens do evangelho ou mensagens positivas. Para isso, há usuários leigos (e nem sempre católicos) que dão um show de bola nos nossos pastores. Para ser diferencial nessa massa, é preciso dar a cara a tapa: rezar, pensar e postar.

Vamos aos exemplos: a página do padre cantor Marcelo Rossi, que há anos aparece nos maiores meios de comunicação social do nosso país e que recentemente construiu o maior templo católico da América Latina, possui pelo menos três perfis públicos no Facebook. Um deles, em espanhol, possui 284 mil “curtidas”. Eu não sei ao certo se ele chega a ser famoso em países hispânicos, mas desconfio seriamente que, pelo fato de esse ter sido o primeiro perfil criado (antes mesmo do oficial), o povo piedoso oficializou o perfil criado por um devoto hispânico que, por consequência só posta em espanhol. Imagino que as velhinhas que amam o padre da “aeróbica de Jesus” devem achá-lo muito douto por postar tão bem numa língua que, para elas nem sempre é muito clara. O segundo perfil, que poderíamos considerar oficial, por apresentar o conhecido nick “Vc no colo de Jesus”, possui 138 mil “curtidas”. Ao analisarmos o conteúdo postado no perfil, sinceramente, eu diria que são pérolas jogadas aos porcos. A simples postagem “>>>FÉ & ORAÇÃO<<<” foi compartilhada por incríveis 560 pessoas! O que ele disse de tão especial, afinal? O terceiro perfil é biográfico. Não há postagens. Recebeu 273 mil curtidas.

Outro padre famoso, o Fábio de Melo, recebeu 524 mil “curtidas” em seu perfil no Facebook. Mais próximo de perfis como o de Lady Gaga (53 milhões de “curtidas), este perfil apresenta aos fiéis detalhes da agenda de shows, vídeos de bastidores,  entrevistas em programas de TV, etc. No entanto, novamente aqui verifica-se a impessoalidade produzida pela assessoria do padre. Por exemplo: “Padre Fábio de Melo lança em breve seu novo álbum de músicas religiosas, “Estou Aqui”! Neste lançamento, pela primeira vez na carreira Padre Fábio vestirá paramentos litúrgicos em comemoração dos seus 10 anos como sacerdote.” Os fiéis que buscam as mensagens adocicadas tão características do padre como “não podemos admitir é que nosso discurso religioso possa ferir a dignidade humana”, imagino que se sentem um pouco abandonados, não tendo mais que a agenda de um cantor famoso para compartilhar com seus amigos.

Padre Reginaldo Manzotti, outro famoso clérigo brasileiro, segue de perto os passos de seu colega Fábio de Melo. Com 117 mil “curtidas, em seu perfil há postagens sobre apresentações em programas de TV e fotos de eventos. Porém, ao que parece, Manzotti é o próprio produtor de conteúdo da página. Podemos encontrar mensagens do papa Bento XVI nem sempre com uma formatação impecável, vocativos como “filhos” ou comentários a passagens do Evangelho como a de II Cor 4, 8-9, “Para você que hoje está passando por provações: Deus é a nossa força!”. O mais interessante dessa página é a descrição, o mote estampado no topo da página: “Padre Reginaldo Manzotti – O padre que reúne multidões!”. É difícil se identificar com um padre que te vê como multidão, pelo menos para mim.

E quanto ao episcopado? Em termos cardinalescos, temos Dom Odilo Pedro Scherer com apenas 2.175 “curtidas” e Dom Damasceno de Assis com 0 “curtidas”. Bispos que ficaram famosos pela afinidade com o conservadorismo como Dom Antonio Carlos Rossi Keller e Dom Henrique Soares da Costa, possuem, respectivamente, 11567 e 8738 “curtidas”. Já o Bispo anfitrião da Jornada Mundial da Juventude, Dom Orani Tempesta, não possui um perfil de figura pública (que recebe “curtidas”), mas um perfil pessoal com 5127 amigos. Quanto ao chamado bispo “referencial” para a juventude, Dom Eduardo Pinheiro, eu não encontrei um perfil no “Face”.

Para termos uma base de comparação, além da supracitada Lady Gaga (53 milhões de curtidas),  poderíamos lembrar de Rihanna (62 milhões de curtidas), Katy Perry (48 milhões de curtidas), Justin Bieber (47 milhões de curtidas), Britney Spears (21 milhões de curtidas). Em termos de Brasil, Luciano Huck possui 7 milhões de “curtidas” e Rafinha Bastos (que falou que comeria a cantora Wanessa e seu bebê), possui 781 mil “curtidas”, só para citar alguns exemplos. No âmbito religioso protestante, temos a cantora/pastora da banda “Diante do Trono”, Ana Paula Valadão, com 520 mil “curtidas” e o pastor Silas Malafaia com 224 mil “curtidas”.

O Facebook é hoje a maior rede social do planeta, com quase 1 bilhão de usuários no mundo. Se compararmos essa população mesmo com perfis bastante “curtidos” como o de Lady Gaga, talvez ainda não estejamos tão bem preparados para usufruir das potencialidades dessa ferramenta. Bento XVI tem enfatizado de forma clara a necessidade de evangelização pela internet porque sabe que há falhas e atraso no anúncio virtual.  Talvez o número de “curtidas” não seja a maior preocupação em termos de evangelização. O perfil oficial do Padre Marcelo está aí para servir de exemplo nesse contexto. Muito mais importante, na minha opinião, é a pessoalidade, a relevância e a periodicidade das postagens. O fato é que temos em nossas mãos uma mensagem muito mais poderosa, eficaz, bela, incrível, que todos as milhões de “curtidas” que a indústria da música poderia representar. Resta-nos, talvez, reconhecer, como o profeta Jeremias, que nesse meio “somos crianças e não sabemos falar”. E assim, pedir sabedoria e inspiração para fazermos de nossa atuação na internet um verdadeiro apostolado como pede o nosso papa.

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Gostando ou não de forró, “Gonzaga: de Pai para Filho” é um bom filme

Postado por Vinícius Farias em 19/11/2012
Publicado em: Atualidade, Eu recomendo. Marcado: Cinema, Crítica, Cultura, Dicas, Forró, Gonzaga, Gonzaguinha. Deixe um comentário

O cinema nacional tem apresentado ao público uma sequência de biografias de ilustres brasileiros nos últimos anos. A de Zezé de Camargo e Luciano (2005), a do Lula (2009), a de Chico Xavier (2010), são só alguns exemplos dentro da temática “Filhos do Brasil” que, na verdade, trata-se de um resgate (articulado ou não)  da cultura brasileira.

Nesse contexto, tive a grata oportunidade de assistir a bons filmes que falam da nossa música, do nosso povo, das nossas paisagem, nos últimos tempos. Eu poderia citar ainda “O Palhaço”, com Selton Mello e “À beira do caminho”, dos quais já falei um pouco a minha impressão aqui no blog.

Em se tratando da biografia de Gonzaga, o rei do baião, eu diria que há uma retomada dos elementos que dão cor ao Brasil: a cultura regional, a alimentação, o sotaque, a música, etc. Confesso que depois de assistir a outras biografias, fiquei com a ligeira impressão de estar vendo uma fórmula pouco original de garoto sofredor que dá a volta por cima e conquista o Brasil com algum talento especial, mas eu sempre digo que brasileiro é muito “bobo” (e por isso talvez tão feliz com a vida): ele consegue descobrir o fantástico por meio de elementos triviais. Não vê o exemplo de Chaves, que há tantos anos continua emocionando e dando audiência? Pois bem, eu gostaria de destacar alguns pontos altos da história “de pai para filho” que vão muito além da difícil relação entre os dois.

A primeira cena marcante do filme para mim foi a que mostra Gonzaga, com uns vinte e poucos anos, levando uma surra da mãe por ter enfrentado um “coronel”. Em tempos de crianças de 14 anos que batem em professores por conta de uma nota baixa, ver um homem apanhando pacificamente da mãe, com todo o respeito que deve à mulher que lhe criou, é um grande exemplo. Ainda mais se compararmos esse modelo de educação com a que o próprio Gonzaga dá a seu próprio filho (distante, fria e complacente). Na tentativa de dar tudo o que não teve para o filho, Gonzaga acabou mimando-o, estragando-o, criando nele toda sorte de traumas que mais para frente foram prontamente “jogados na cara” do pai. A dualidade dos dois modelos de educação, talvez seja a nota mais evidente e mais preciosa do filme, especialmente para os opositores da palmada.

A religiosidade popular é outro ponto de destaque no filme. Nas primeiras cenas aparece a casinha da família de Gonzaga, no meio do sertão pernambucano, cheia de devotos rezando “A nós descei, divina luz”. Num contexto quase unânime de pessoas que rezavam para suprir a distância quilométrica de suas casas para a igreja mais próxima. Talvez os católicos que se denominam como tal, mas não frequentam a igreja (do lado de casa), nem rezam uma dezena do terço por dia, devessem sentir certa vergonha dos nossos antepassados. Ora, muito possivelmente, no dia do Juízo, Jesus pegará uma família bem devota dessas e a coloque para nos julgar. Fiquei refletindo no quanto eles eram felizes porque, apesar das dificuldades, eles tinham Deus como amigo e muitas vezes nós nos enganamos com uma religiosidade “de herança” que quando muito serve apenas para preencher formulário do IBGE.

O perdão também deve ser lembrado, pois é uma linha que costura todas as cenas de “Gonzaga”. Desde as estripulias do menino que queria se casar com a filha rica do Coronel até o pedido de seu filho Gonzaguinha, pareceu-me muito bela a mensagem de reconciliação e pacificação de conflitos entre os personagens. É uma demonstração de que o perdão, muito mais que um preceito religioso, é uma questão de justiça, pois quem uma vez foi perdoado (os pais que perdoam Gonzaga por seus erros), também precisa perdoar (Gonzaga que perdoa o filho Gonzaguinha por não respeitar a autoridade do pai). É claro que outras histórias ficaram mal resolvidas (carecidas de perdão), como na relação de Gonzaguinha com a madrasta Helena, por exemplo, mas não me pareceu que o “cabra macho” nordestino estivesse tão absorto em seu orgulho que não estivesse disposto a ver o benefício desse ato para o resultado final da pintura da vida.

Quanto à música, confesso que fui ao cinema com apenas uma na cabela, a épica “Asa Branca”. O filme mostra, porém, que há todo um patrimônio musical por traz do nome Gonzaga. Ao final, nos créditos, diz-se que ele lançou mais de 200 discos! Muitas vezes eu (e muita gente, imagino), quis levantar-se da cadeira e sair dançando no cinema. É incrível isso, gente. Se o 3D consegue te proporcionar uma sensação de realidade e de proximidade com a cena, eu não sei bem descrever o que o forró (ou baião) provoca, mas é uma sensação emocionante. Você realmente se segura para não pegar a moça do lado e aproveitar o espetáculo do chorar da sanfona.

Mas, afinal, se “Gonzaga: de pai para filho” é tão parecido com outras biografias de “Filhos do Brasil”, por que eu deveria ir ao cinema dessa vez? Creio que a resposta seja bem simples: para que você se encontre na tela. Você pode até não ser nordestino, não ser pobre, não ser negro ou não gostar de forró, mas há uma coisa ali que liga toda a rede de brasileiros espalhados pelos mais diferentes estados do país: seu nome é cultura. Como dissemos no início, a cultura brasileira tem sido exaltada nos cinemas de forma magnífica nos últimos anos. Para quem acredita que essa é uma tendência totalmente oposta ao que se pratica fora daqui, muito se engana. Afinal, por que a guerra civil norte-americana, que todo ano é vendida sob um enfoque diferente, tem que ser mais importante que as guerras separatistas brasileiras, por exemplo?

Há uma antiga história (muito provavelmente não é verdadeira) que diz que o termo “Forró”, vem do inglês “for all”, para todos. E é bem isso que o filme traduz ao mostrar que, diferentemente do que se pensa, houve uma época em que era “chique” gostar de forró. Com letras simples, mas carregadas daquela cultura centenária que a tradição popular foi transmitindo, vemos que o forró, tanto quanto a MPB, é digno de ser louvado como parte importante da nossa cultura. É uma boa pedida, principalmente para aqueles que, como eu, vão descobrir outros horizontes nesse universo que vão além de bandas com nome de calcinha.

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Meu caro bispo, “Quo Vadis”?

Postado por Vinícius Farias em 16/11/2012
Publicado em: Pitacos. Marcado: Bispos, Dom Cardoso Sobrinho, Dom Odilo Scherer, Doutrina, Episcopado, Fidelidade, Martírio, Moral, radicalidade, Roma. Deixe um comentário

Alguém tem alguma dúvida de que é difícil ser bispo? Acho que não. Desde os apóstolos – praticamente todos martirizados – essa tarefa, melhor, esse ministério tem sido alvo do ataque de muitos. Nos dias de hoje os nossos bispos, em geral, já não recebem a coroa do martírio. Pelo menos não o martírio físico. Mas o fato é que realmente, nada do que se passa hoje se compara ao que muitos homens e mulheres passaram, ao longo da história, na defesa do nome de Cristo.

A impressão que eu tenho é que o bispo que foge da linha politicamente correta, o bispo que não encarna o estereótipo “acolhedor”, bonzinho, vai direto para as capas de jornal porque merece ser denunciado como uma anomalia social. Foi assim com Dom Cardoso Sobrinho (o bispo que anunciou a excomunhão dos médicos e dos pais que autorizaram o aborto da menina de Recife) e está sendo assim com Dom Odilo Scherer (acusado de antidemocrático porque cometeu o crime de seguir o estatuto da PUC  e escolher o candidato que melhor lhe convém).

Ao mesmo tempo que esses bispos são denegridos pela grande mídia e pelos progressistas, eles são amados por milhares de católicos fiéis que não aceitam a negociação dos bens sagrados. O testemunho dos mártires que enfrentaram a arena, a decapitação, a crucifixão, o escalpelamento, etc., aponta ao perfil do seguidor de Jesus Cristo – aquele que assume a sua cruz até a morte. Eu vou ser muito sincero com vocês, há poucos bispos a quem eu realmente admire atualmente. Claro que existem milhares que eu desconheço e que fazem um trabalho maravilhoso no silêncio e no ostracismo, mas dos que conheço, dos que aparecem, eu quase nunca sinto aquela radicalidade evangélica de outrora. Temo pensar no que seria se nos deparássemos num cenário de perseguição.

São duas as atitudes características do episcopado de hoje. A primeira é: não julgueis! Ainda que isso esteja na Bíblia, ainda que a Igreja diga que é errado, o melhor a se fazer é tergiversar (como diz a nossa Presidenta). Falemos de fraternidade, de justiça social, de paz, do meio ambiente, mas nunca, nunca de doutrina. Quem fala de doutrina é Roma e já aviso logo, se quiser aprender vai ter que ler aquelas palavras difíceis que só eles entendem! Ora, mas o bispo, em seu munus de ensinar não poderia traduzir o que Roma diz? Melhor, não se trata do que Roma diz, trata-se do que Cristo diz…mas não. Isso pode causar constrangimento entre os fiéis, eles podem se sentir afastados, julgados. Não é isso que se vê por aí?

A segunda atitude característica do episcopado de hoje é o acolhimento incondicional. Por falta de vocações aceita-se candidatos totalmente inaptos ao sacerdócio. Aceita-se inimigos da Igreja em posições estratégicas, aceita-se professores abortistas nas universidades católicas e por aí vai.  Excomunhão, por exemplo, é um termo maldito que fez parte de um passado negro da Igreja Católica (ainda que conste no atual Código de Direito Canônico). Nas Igrejas Particulares de hoje todos são convidados a fazer parte do banquete, sem que para isso você precise  ouvir um “vá e não peques mais”. A Igreja do Acolhimento quer todos, sem perceber que nem todos poderiam estar ali. Qual é o pastor louco que vai trazer um lobo para ser acolhido entre as ovelhas?

Claro que é muito fácil criticar (denegrir, como pensam alguns) da comodidade de sua casa, como os chamados antropólogos de gabinete. Mas temos de ser muito realistas quanto ao fato de que buscamos a unidade sim, mas não por meio de um assentimento hipócrita dos erros dos nossos pastores. Isso só intensifica o cisma silencioso que vez ou outra ameaça a nossa Igreja. Não é Lutero a nossa inspiração ao exortar os bispos a serem mais fiéis, mais radicais em seu ministério. Não queremos montar uma Igreja “aos meus moldes”, nem retornar a uma Igreja medieval que nunca mais vai existir. Nossa intenção é sobretudo relembrar que não estamos sozinhos. O testemunho dos santos e santas está aí como luz para nos guiar no caminho.

Muitos de vocês conhecem essa historinha que se conta sobre a vida de São Pedro Apóstolo. Diante da hostilidade crescente ao cristianismo, São Pedro resolve fugir de Roma para evitar que fosse pego e martirizado como os outros cristãos. De repente Nosso Senhor passa como quem não quer nada em direção à Roma, a direção contrária a de Pedro que saía da cidade. Então o apóstolo pergunta: “Quo Vadis?” (Para aonde vais?), ao que Jesus responde: “Roman vado iterum crucifigi” (Eu estou indo a Roma para ser crucificado de novo). Desse momento em diante Pedro ganha novo ânimo e retorna para receber a coroa do martírio sob Nero.

Antes de fazer crítica de gabinete, antes de ser um criticismo vazio, queremos sobretudo perguntar aos bispos, “Quo vadis?” quando querem retirar os crucifixos das repartições públicas; “Quo vadis?” quando bebês estão sendo mortos em prol do progresso científico; “Quo vadis?” quando a sagrada liturgia se torna um carnaval em rede nacional; “Quo vadis?” quando as almas perecem sem um referencial de doutrina e de moral além dos que nos foram transmitidos há mais de 10, 15, 20 anos na catequese…Bispos, sucessores dos apóstolos e pastores da Igreja, nós vos amamos, mas como filhos, queremos dizer que nós precisamos do “não” dos nossos pais de vez em quando, ainda que isso vos leve a aturar a rebeldia de muitos adolescentes imaturos.

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Os limites da mentalidade administrativa dos padres

Postado por Vinícius Farias em 14/11/2012
Publicado em: Pitacos. Marcado: Administração, Advento, Fidelidade, Padre, Paróquias, Sacerdócio, Vocação. Deixe um comentário

Um sacerdote tornou-se pároco de uma pequena paróquia do interior com aproximadamente 300 famílias. No primeiro domingo do Advento ele anunciou aos paroquianos que nesse ano não queria ganhar nenhum presente de natal dos paroquianos – nada de dinheiro, comida ou lembrancinhas. Em vez disso, o presente que ele gostaria de ganhar dos paroquianos de sua nova paróquia seria que todos os paroquianos se confessassem durante o Advento.

Para atingir esse fim, adicionaria novos horários de confissão durante os dias de semana, trazer padres de fora e tornar o sacramento o mais acessível possível.

Para a sua surpresa, a paróquia aceitou a sua oferta.

Ele disse que durante as quatro semanas do advento, ele tentaria contar o número de penitentes, mas só foi capaz de contar o número daquekes que não tinham se confessado há mais de 20 anos – aproximadamente 200 – nessa pequena paróquia! Muitos penitentes disseram que o motivo de eles terem ficado tanto tempo sem confessar seria porque nenhum sacerdote havia dito para eles se confessarem ou os convidado. Apenas com o convite de um sacerdote uma cidadezinha inteira cresceu em graça pelo sacramento da penitência.

Fonte: Father Z

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Este exemplo é um claro questionamento aos chamados “padres administradores”, que usam 70% do seu tempo com reuniões, compras, finanças, gestão de pessoal e coisas do gênero. Normalmente são os padres diocesanos os que mais encarnam esse tipo de papel que, por mais necessário que seja, está longe de atender às necessidades espirituais dos católicos.

Um exemplo dramático disso é a pessoa precisar de atendimento (pois está numa crise de fé) e o padre responder: “claro que eu posso atendê-la, basta marcar com a secretária”. Meu, não é para quando houver vaga…é para agora! Geralmente o padre não pode atender porque tem que tem de estar presente numa das milhares de reuniões pastorais (dízimo, MESCE, etc). Obviamente está tudo ligado direta ou indiretamente à salvação das almas, mas os padres têm de ter sempre em mente as seguintes questões popularíssimas nos próprios meios administrativos: “O que é urgente? O que é importante? O que é necessário?”.

A falta de sacerdotes impede que o padre ministre os sacramentos full time, mas  se depois do Concílio Vaticano II deu-se tanto destaque para a figura do leigo na Igreja, por que não delegar atividades administrativas? O problema é que, infelizmente, muitos padres são orgulhosos e querem ver a paróquia como uma empresa: com a sua marca, com o seu sistema de negócios, com os funcionários seguindo à risca suas ordens. Enquanto isso, as atividades sacramentais – essas que NÃO deveriam ser delegadas, ficam a cargo dos leigos.

O exemplo do padre acima nos faz pensar: “ah, como eu queria estar nessa paróquia…”, pois mostra um sacerdote que sabe exatamente o que é importante em meio ao urgente e ao necessário.

Milhares de pessoas migram de religião, em especial da Igreja Católica todos os dias porque não encontram  o apoio espiritual num ambiente muitas vezes tão carregado por essa mentalidade administrativa. Ora, a pastoral da saúde tem que funcionar, a pastoral do dízimo tem que funcionar também, mas nunca às custas de uma alma. Entenda isso e você entenderá a missão de um padre.

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    RANGANATHAN, S. R. As cinco leis da biblioteconomia. Brasília: Briquet de Lemos / Livros, 2009. 336 p.

    HUGO, Victor. Nossa senhora de Paris. São Paulo: Edições de ouro, [19--]. 377 p.

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    STORONI, Paola Boccardi. Unusual Guide to the History, the Secrets, the Monuments and the Curiosities of St. Peter's Basilica. Roma: Newton & Compton, 2000. 255 p.

    D'ARCAIS, Paolo Flores; RATZINGER, Joseph. Deus Existe? São Paulo: Planeta, 2009. 128 p.

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    CHESTERTON, G. K. A inocência do padre Brown. Porto Alegre: L&PM, 2012. 256 p.

    DUMAS FILHO, Alexandre. A dama das camélias. São Paulo: Nova cultural, 2002. 270 p.

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