Estive lendo um interessante texto no blog Bad Catholic sobre a vida controversa do ícone da pop art Wandy Warhol. O texto mostra dois lados de Warhol que, apesar de eu gostar muito de arte, desconhecia: um que ele era gay e outro que ele tentou, na medida do possível, ser coerente com a doutrina católica sobre a homossexualidade.
Não podemos nos enganar, muitos trabalhos de Warhol eram explicitamente pornográficos e por meio deles ele fez muita propaganda da cultura gay. Ainda assim, é interessante notar interiormente o artista vivia num campo de batalha. Warhol parecia querer com todas as suas forças seguir os preceitos da religião que lhe preenchia, mas sua pessoa se fez publicamente não por isso, mas pelas vezes em que deixava a peteca cair, ou seja, que serviu de propagandista do movimento gay pelo mundo. O texto que se segue não é uma tentativa de abonar a conduta e a biografia de Warhol, mas para que todos os cristãos possam deixar Deus tornar-se o vencedor na briga de gigantes duelam dentro de cada um:
Warhol deliberadamente escondia quem era para o público – ele era conhecido por responder as perguntas com “uh, não” ou “uh, sim” – e ele certamente escondia o fato de que usava um crucifixo numa corrente em seu pescoço, que carregava um missal, um rosário e que era voluntário na pastoral da sopa na Igreja do Repouso Eterno em Nova Iorque. Ele ia à missa – frequentemente à missa diária – sentando-se ao fundo, sem ser notado, desajeitadamente embaraçado pelo fato de alguém perceber que ele fazia o sinal da cruz “à maneira ortodoxa” (do ombro direito para o esquerdo em vez do esquerdo para o direito). Ele financiou os estudos de seu sobrinho para o sacerdócio e, de acordo com sua elegia, foi responsável pela conversão de pelo menos uma pessoa ao catolicismo.
Ele pintou, filmou e fotografou o obsceno, o homoerótico, o impudico e o lascivo, mas nunca se engajou seriamente nisso, dizendo sempre sobre si mesmo que “depois dos 25 você deve olhar, mas nunca tocar”. Como lembrou o historiador de arte John Richardson: “Para mim Andy parecia de outro mundo, quase como um sacerdote em sua habilidade de permanecer desligado dos extravagantes animadinhos, garotos de couro e drag queens que ele atraia…Andy nasceu com uma inocência e uma humildade que era impregnável – sua espiritualidade eslava como o Santo Tolo russo, o simplório cuja quase divina inocência o protegia contra um mundo hostil”. Enquanto A Fábrica – lugar em que ele trabalhava e base da comunidade avant-garde – mergulhava na devassidão até altas horas, Warhol vergonhosamente preferia se recolher às 10 da noite para dormir.
O fato de a sua compreensão de natureza amoral na arte seja de certo modo dispensável não é importante nesse momento. Eu seria um todo se eu fizesse dele um santo – é difícil tratar de pessoas que flertam com cocaína sobre o calendário – mas eu seria um grande tolo se eu fizesse de Warhol, por outro lado, um pecador orgulhoso.
Para a Igreja que Andy Warhol amava não significava que que seria um pecado ser gay, carregar consigo a atração por pessoas do mesmo sexo. A Igreja Católica ensina que os atos homossexuais vão contra a natureza humana e são, portanto pecaminosos. O fato de Andy Warhol ser abertamente gay (ele menciona que “sempre se divertiu muito com isso – só reparando na expressão das pessoas…) e ao mesmo tempo um celibatário convicto, parece representar uma certa paz sobre o homem, uma separação racional entre a atração homossexual sem culpa e o ato homossexual pecaminoso. Significava também um esforço para estar em comunhão com a Igreja Católica. Se há um fato condenável da perspectiva católica, foi unicamente o fato de ele ter levado outras pessoas ao erro, aqueles que não sabiam que ele era convictamente um celibatário.





























Museu de arte islâmica, Catar.


